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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Envelhecendo

"Onde estou?
Quem eu sou?
Para onde vou?"

O bom de envelhecer,
Dentre outros ganhos,
É não questionar tanto
A vida,
Mas se dedicar a vivê-la
Com graça e sem nenhuma
Pressa nem anseio por
Respostas que não se esgotam
Em si mesmas porque geram
Outras perguntas e angústias
Que não passam como o tempo,
Que vai e não volta

O bom de envelhecer,
Dentre outras vitórias,
É sequer precisar dizer
De a gente encontrou ou não
A solução dos questionamentos
E poder dar de ombros a quem
Insiste e sair de perto em riso:
Ah, eu sei lá! O fato é que
Estou indo. E já fui!

domingo, 21 de agosto de 2011

De volta

Vou para casa
Nada de muito emocionante
Apenas quero retomar a minha vida
Afinal, os cachorros rosnam para mim
O guardinha na guarita me pede documentos
A empregada nao me reconhece
E os filhos tem a impressão, vaga,
De que me conhecem, sem lembrar de onde

Nao sei mais dos meus CDs
Onde estão os meus livros
Aquela roupa que comprei e nao usei

Tanta ausência de mim
Fora do único lugar
Em que posso ser eu mesma

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Reverso

Atirem-me pedras e elas enfeitarão o meu caminho.
Machuquem meu coração e ele baterá ainda mais forte.
Arranquem lágrimas dos olhos e minha visão se amplia.

De todo modo, se puderem,
Joguem sobre mim pétalas de todas as cores,
Acariciem o meu peito com delicadeza
E me façam chorar de emoção e alegria.

Não tenham dó dos sentimentos que desperto.
Apenas tentem não me odiar,
Se não puderem me amar
Ao menos um pouquinho.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Nós

Tu sempre me procuraste
E eu vivi à tua espera
Existíamos um para o outro,
Mas não havíamos nos encontrado

Hoje voltas a mim
E eu me devolvo a ti
Para vivermos o mistério do amor,
E dar fim, de vez, aos desencontros

Entras pela porta que me abre
E penetras em minha vida
Reenchendo-a de esperanças
Que pensei perdidas

Não, não é amor à primeira vista
É o amor antigo e eterno
Que reconheço no teu olhar suave

sábado, 21 de maio de 2011

Tanta dor

Quando dói,
A dor de amar e' tanta
Que nao dói.

Amortece.
Neutraliza.
Anestesia.

E a gente nao sofre a dor.
Nao ama mais.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Id e Superego

Desejo,
Mas não quero.
Quero,
Mas não posso.
Posso,
Mas não devo.

A minha decisão está acima
Da minha natureza
E a minha consciência,
Além dos meus impulsos.

Só não sei até quando sobrevivo
Na prisão do meu instinto,
Clamando em silêncio
Pela minha liberdade.

Vera Pinheiro

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Só lamento

E dizer que te amei tanto, e loucamente,
Que, inconsolável, chorei por ti noites inteiras,
Que pensei em morrer de dor na tua ausência

Pois hoje eu te lamento, e muito,
E não te dou uma só lágrima escassa
Nem o mais pálido dos sorrisos meus

Sequer um pensamento, uma lembrança
Uma ponta de mágoa ou ressentimento
Pois assim te homenagearia, e não quero

Para cobrir o teu rastro em minha vida
E apagar os passos que deste comigo
A indiferença, o desprezo, a felicidade
E nenhuma saudade, que não mereces

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Solidão

Estou tão inapelavelmente só
Que versos não me querem
A inspiração me abandonou
E não encontro sequer
A minha própria companhia
No deserto que se instalou
Dentro da alma vazia

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Nada a dizer

Nenhuma palavra

Nem uma emoção
Para explicar o convívio
Juntos e separados
Ao mesmo tempo

Sem dor
Apenas o vazio
E um silêncio que
Mostra o nada a dizer
Além do sussurro
Do adeus dito antes
Quando a gente ainda
Tinha alguma coisa
A dizer

domingo, 21 de novembro de 2010

Inocência

Bilhetes manuscritos
Fotos, músicas e versos
Recortados e colados
Entre florzinhas e corações
Acrósticos e o nome escrito
De todas as cores e letras
Em cada folha do caderno
O papel de uma balinha
A entrada do cinema
Confissões e sonhos no diário
Guardado a chaves e medos

Muita vida depois
A inocência acabou.
O meu amor? Ainda não.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

E não estavas lá...

Eu me arrumei todinha!
E tu não viste.

Botei vestido novo,
Água de cheiro,
Salto alto para ficar
Mais perto do teu pescoço!
E não estavas lá
Para tecer estrelas comigo
Em noites de luar.

Quis te dar notícias boas,
Compartilhar tristezas,
Lançar apostas no futuro,
Fazer do agora um presente,
E me vi sozinha,
Sem a tua presença.

Lamento que não tenhas visto
O tudo de bom que me tornei
Depois de ti,
Justamente porque não estavas lá.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Se eu soubesse...

Ah, se a gente soubesse o que vai viver amanhã...

Se eu soubesse ontem do meu hoje
Não perderia tempo com coisinhas miúdas
Que não valiam a pena tirar meu humor,
Não me desgastaria em discussões alongadas e inúteis,
Não deixaria momentos bons para depois,
Não perderia pessoas, pensando que amanhã
Elas voltariam para mim.

Se eu soubesse ontem de mim,
Cuidaria mais da minha saúde
Para não me preocupar hoje com ela.

Não diria adeus, tiau, até um dia, quem sabe.

Não adiaria visitas,
Beijos na boca,
Aquela trepada sensacional,
A oração suspensa no peito,
A confissão que interrompi,
O que não bebi,
Quem não comi.

Teria compreendido a urgência de ser feliz
Hoje, agora, já.
Ontem.

Saberia como se constrói
O para sempre, a eternidade,
Que não começa quando tudo termina.

Se eu soubesse ontem,
Não me arrependeria hoje
De não ter feito o que queria
E de ter me precipitado em fazer
O que, naquela hora, não devia.

Poderia, se eu soubesse, ter tornado
A felicidade inadiável.

sábado, 21 de agosto de 2010

Amor amigo

Amor amigo é um jeito de amar
Que deu certo para mim,
Por isso amei poucos homens
E colecionei muitos amigos

É um amor melhor.
Incondicional e forte,
Que não briga, não cobra,
Não desiste, não chateia
Nem se incomoda.

Um amor confortável,
Que não dói nem magoa.
Amor de abraço,
De aconchego solidário.

Amor amigo só faz bem.
E é o modo que encontrei
De não deixar de amar
Quando o amor que tive
Quis ser apenas meu amigo.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Não peças

Não peças que eu
Não te ame
Não te queira
Que sufoque o meu desejo
E faça de conta que somos
Apenas amigos.

Ainda não aprendi
O impossível.

Não posso.
Nem quero!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Dúvida

Durante certo tempo acreditei no que li.
Durante algum tempo acreditei no que ouvi.
Durante muito tempo acreditei no que me mostraram.
Durante o tempo todo acreditei no que me comprovaram.

Durante a minha vida eu acreditei.
Hoje sou uma dúvida permanente.


Vera Pinheiro

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Em branco

Há momentos em que me sinto
como folha em branco,
uma página vazia,
o silêncio retumbando dentro do meu ser,
amplo e pequenino ao mesmo tempo.

Há dias em que me sinto num brete,
encurralada para a tosquia do que preciso me desfazer,
como rês a ser abatida para alimentar
os famintos e os insaciáveis.

Eu me pergunto como teria sido
se os rumos fossem outros
e as escolhas, diferentes.

Nada pode ser mudado no ontem.
No máximo o agora pode ser refeito
Para que o futuro não seja
Como o hoje está.

Vera Pinheiro

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Poeminhas

DÓI
O que dói não é o ódio
Que não sinto
Nem a raiva
Que não alimento

É a saudade
Que não gostaria
De ter de ti

BRASÍLIA
Brasília chega aos 50 com
Dores adultas de mulher sofrida,
Mas ainda tem
Viço e vontades de menina,
Apesar dos homens que a aviltaram

Vera Pinheiro

domingo, 21 de março de 2010

Versos

Amo os versos que me mandas!
As tuas palavras fazem estrofes no meu corpo
E elas se tornam poesia em minha alma.
Eróticos ou sensuais serão tais versos?
São poéticas luvas
Onde cabem os meus dedos que te tocam.
Eu já não sei se te falo ou se canto,
Se estou poetando ou se apenas escrevo.
Sei que me descrevo no que digo e que
Ora a minha palavra é santa
Ora é como eu: devassa.

Vera Pinheiro

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Se eu morrer amanhã

Se eu morrer amanhã
Não me deem elogios que não mereço
Nem flores que nunca recebi
Tampouco lembranças que não tenham

Não me tragam lágrimas que não sintam
Mensagens que nunca me enviaram
Cartas de amor que não me deram

Não me entreguem afagos que jamais vivi
Palavras de amor que não me disseram
Preces e amizade que não me dedicaram

Beijos que minha boca não conheceu
Prazeres de que não compartilhei
Guardem nos corações em que não entrei

Não inventem histórias comigo, se me excluíram
Rechaço abraços que me sonegaram
Rejeito gestos ternos que me recusaram

Deem sorrisos ao meu rosto pálido
Cantigas alegres ao meu redor
Comam, bebam e dancem

Celebrem a minha morte!

Enquanto me divirto com o patético cerimonial
De quem não compartilhou da minha história
Mas alega saudade do que não viveu

A quem não experimentou a alegria
De participar da minha vida
Não permito que chore no meu funeral

Vou rir em silêncio, enquanto minha alma vaga
E retorna ao colo da Mãe que me gerou,
Agradecendo a indiferença e a incompreensão

O que fui nesta vida
Não se esgota com a minha partida.
Eu sou e sempre serei

Permaneço na memória dos meus afetos
E na imensidão do desafio de viver,
Ainda que morra

Se é que vou morrer um dia
Pois, essencial e insubstituível,
Sou imorredoura, eterna, imortal

Para quem ousou me conhecer
E, apesar disso, conseguiu me amar

(Vera Pinheiro)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Noites de ausência

Claro que é possível ser feliz sozinha!
Mas não precisava existir noite de sexta-feira
Nem devia haver madrugadas
Quando a vida se mergulha em saudade.

A noite avança vagarosamente,
O silêncio é cúmplice do pensamento,
Pensar acorda fantasmas do passado.
Em noites vazias como esta,
A melancolia invade o coração
E tudo se preenche de ausência.

É como estar lindamente vestida
E entrar em um salão para festa
De que somos convidadas.
A orquestra toca a música predileta,
Mas todos já foram embora.
Estamos enfeitadas, o lugar é belo,
Ainda existe melodia, mas não há
Quem tenha permanecido à nossa espera.

Perdemos a festa
E só nos resta voltar às relembranças,
Tirar a roupa que fantasiou a felicidade,
Desfazer a maquilagem que desenhou um sorriso,
E adormecer sonhos, esperas e ilusões.

Quando acorda, no dia seguinte,
A gente não sabe se viveu ou se sonhou.
Apenas sente que o vazio não se preencheu.

Vera Pinheiro