
“in principio erat Verbum et Verbum
erat apud Deum et Deus erat Verbum”
Em nenhum sânscrito encontrou-se
o nome secreto de deus.
Buscou-se nas fendas da Terra.
em seus abismos mais remotos,
Em suas parnasianas geografias,
grutas rupestres, et coetera.
O eco perdido de outros vários,
vários nomes que nada significaram.
Buscou-se a iconografia de deus,
A única proveniente dos altos céus,
Subserviente de austero criador
criado por sua própria formosura.
admirar não compartilha criação
por ser transeunte a nomenclatura,
Entre a idéia e sua pura origem
apartada em profana imagem.
Por ser deus no severo significado,
criou tantos vários em desuso,
nomes, estes menos expressivos
o vento levava da boca onisciente
para as encostas compactuadas no
oriente, no ocidente, na falha pangeia.
Os nomes remanecentes se agitavam
nos cibórios, libertados nos sacrários
despedaçavam-se em bocas mudas.
bocas sintéticas. bocas noturnas.
boca. quanta boca. Meu Deus!
forjavam-se em dissimulada alcunha.
Tantos orfeus. Sarasvatis. argonautas.
suspensos na instituição humana.
Porém passou o vento ocidental
e expurgou todos os hereges
sublevados crismas religiosos.
Paganis Kyrie eleison.
Não se ouviu saltar do altíssimo
Trono os impropérios celestes
reinvindicados na terra.
“A mão de orfeu enorme destra”
Buscou dentro de si o secreto nome.
Ouviu o vento, percebeu-se.
O vento crismou em silêncio resplandente.
Barulhento. Febrio. Suplicante.
Era impronunciável. Invisível. Irresoluto.
Dentro do homem se conhecia
Sem a lógica intrépida,
Sem a verdade cartesiana.
Sentiu-se o Deus. Desvendou-se o poeta.
O universo se sabia completo.
Com deus e seu ex-secreto nome.
Kyrie eleison.