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terça-feira, 17 de julho de 2012

Meu Pequeno Mundo Torto

imagem: olhares.uol.com.br



Mundo incorreto,
de retas tortas,
círculos ovalados.

Distrações ao redor
de concentrações frágeis.

Vida, viver, vivo, vou...

Sobrevivo...

Sobrevoo...

A observar imperfeições,
a descobrir desgostos
desse mundo incorreto,

impreciso,

de formas equivocadas
a se remodelarem
sempre erroneamente,
sem saberem o que querem ser,
parece,

como se eu soubesse
(o que quero ou)
avaliar formas que,
na verdade,
nunca vi

e não sei imaginar.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Assobio e Assobio



assobio
canções
que são musicas
da alma
da minha alma
dos anjos
que se comunicam
dos pássaros, com quem converso
assobio
descanso o corpo
repouso os olhos
relaxo meus sons
ao ouvir
a minha trilha
enquanto
assobio
e assobio

sábado, 17 de março de 2012

Saciedade


sinto
que sei
o que sou.

E quiçá
sei
somente
isso.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012


imagem: bastidoresdemim.blogspot.com
Nascido em águas mornas,
como nascem peixes dóceis,
sem amparo ou resguardos,
sem desejos ou querências,

mas aconchegados.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O Capítulo 1 seria assim:

Viaduto da Borges de Medeiros, Porto Alegre.

Já fazia alguns minutos que olhava ora para o horizonte, ora para baixo, meio que admirando a vista, meio que admirando seus próprios pensamentos. Estes lhe eram mais freqüentes quando se apoiava no alambrado do viaduto, olhando entre os prédios de forma cada vez mais nebulosa, conforme a noite chegava.

Muitas pessoas passavam às suas costas, apressadas, sem talvez lhe notar. Caminhavam simplesmente, o miravam quiçá, mas não interviram de forma alguma em seu transe, em suas divagações solitárias consigo mesmo. Parecia que a noite chegava às pessoas junto com a fome, o sono ou algo assim... Uma pressa incontida, que lhes fazia olhar sempre à frente, meio que desviando umas das outras, se chocando às vezes. Quantos não eram os que morriam porque se quer percebiam os automóveis, quem dirá um guri encostado no corrimão, de costas para a rua.

E ele seguia ali, parado, vagando entre idéias ou entre nada, pois, sabia, nem sempre pensava, e isso lhe confortava. Quando não pensava, tudo era melhor, mas o problema se tratava exatamente em não conseguir esvaziar a mente. E sua mente era rápida, inconstante, fervorosa, ardente, atormentadora, torturante. Não conseguia controlar seus pensamentos, e então, como muitas vezes já o fizera, ia àquele viaduto, no centro da cidade, e ficava lá, nos fins de tarde tumultuadas de pessoas apressadas para chegarem a suas casas, deixando seus pensamentos tomarem conta de si, como se fosse ele deles, e não o contrário.

O movimento da rua diminuía conforme a noite se prolongava. Isso era estranho: conforme a noite chegava, mais pessoas saíam às ruas e, de repente, elas sumiam, desapareciam. Por que, ao contrário, a intensidade da noite não era seguida pela intensidade de pessoas caminhado às suas costas? Talvez fosse o fascínio e o medo que a noite causava: no começo, parecia que a curiosidade tomava conta das pessoas, e todas saíam de seus escritórios e fábricas para ver o dia ir embora; mas logo que o dia se esvairava, o sol sumia e a luz se extinguia, o medo lhes tomava conta, e todos corriam para suas casas, fechavam suas portas e dormiam, para que aquela escuridão fosse embora rapidamente, e o dia voltasse logo quando acordassem, e tudo tivesse dado a impressão de ter sido um sonho.

O único que se mantinha ali era aquele rapaz, de costas para todo esse movimento, olhando simplesmente a noite chegar, sem prestar atenção nisso, todavia. Sua atenção ia e vinha como a maré, e só se dava conta disso quando percebia a luz se tornar ainda mais escassa, e as luzes dos faróis dos carros começarem a se confundir com as luzes dos prédios, numa confusão visual que lhe fazia sucumbir mais ainda em pensamentos longínquos, distantes, em terras sem nome, a pessoas sem identidades.

Se posicionar daquele jeito no alambrado do viaduto era uma coisa comum para ele: fazia sempre naquele horário, quase todos os dias, principalmente os de semana, que, para ele, eram os mais monótonos. Às vezes, levava consigo uma lata de cerveja, algo que facilitasse a fuga de seus pensamentos que, parecia, lhe tornavam sufocantes sempre no mesmo horário. E conforme a noite tomava conta das ruas, fazia o mesmo ritual: erguia a perna direita primeiro, e a colocava no primeiro vazamento da ponte antiga, como que pensando no que fazia, mesmo que, geralmente, sem pensar em nada. Ficava assim por alguns minutos, parado, até apoiar o outro pé, da mesma forma, e ficar suspenso no ar, olhando para baixo, largando a lata de cerveja sobre o alambrado, quando a tinha em mãos, ou quando se apoiava, enfim. Mais alguns minutos, até os pensamentos se tornarem mais claros, e deveras começar a pensar no que fazia, e a escuridão ia se desfazendo aos poucos pela sua mente, passando por ela os anos anteriores, a vida que por ele passara, as noites insones, cada gota de água gelada que lhe caíra nas costas em banhos noturno, em chuveiros ruins, e cada sensação que tivera nesse tempo todo – tempo curto, mas marcante como ferro quente encostado na pele de um animal vive, que estremece não pela dor, mas por saber que aquela marca será para sempre.

Conforme a escuridão se vai de sua cabeça, suas pernas se tornam mais firmes, e o apoio das mãos vai sendo dispensado, até que a coragem lhe possibilite subir mais um degrau do alambrado, e este baixar de sua cintura, e o vento já perturbar seu equilíbrio aí. E se antes as pessoas não lhe prestavam atenção porque estavam apressadas, a essa hora já estavam talvez dormindo em frente à televisão, e ninguém havia ali que lhe recomendasse descer, ou lhe estimulasse subir ainda mais, para ver até onde suportaria o vento. Estava só, com os braços abertos sobre a avenida lá embaixo, o busto suspenso, olhos abertos e o vento no rosto, lhe transfigurando não só sua face, mas seus pensamentos, e todo o universo de nostalgia que lhe rodeava naquela quinta-feira de clima ameno.

Por um momento, porém, e como sempre, seus olhos se focaram por entre os prédios, o fazendo baixar os braços e novamente se apoiar-se no alambrado do viaduto. Vagarosamente como subiu, desceu pé a pé os vazamentos da ponte, um após o outro, num tempo superior ao que essas linhas conseguem descrever. Na sua cabeça, mais vagarosamente ainda, meio que acordando de um longo hibernar, sem entender exatamente a causa de tamanha escuridão da noite, chegada num piscar de olhos, num raio de consciência.

De volta à terra firme, e como sempre, olha para os lados meio que envergonhado, meio que tentando entender o que se passara, e mesmo sabendo que aquilo se passara sempre, ou quase sempre, quase todas as noites, e quase sempre no mesmo horário. Mãos paralelas ao corpo, vira-se, simplesmente, e sai andando na rua, com a naturalidade verdadeira de quem vive algo deveras simples. Os passos lentos iniciais são acompanhados por outros cada vez mais velozes, até que sua caminhada de volta à casa se torna uma corrida, mais e mais rápida, até suas pernas pararem de serem sentidas, e o vento voltar a bater no seu rosto, como se ainda estivesse lá, prestes a cair do viaduto, com os braços abertos sobre a avenida movimentada, com a noite tomando conta da paisagem, e seus pensamentos desencontrados. A diferença era que, agora, e como sempre, estava voltando para casa.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Rotinas Urbanas

Reza a lenda que todas as manhãs, logo que amanhecia, se levantava preguiçosamente, punha o café a passar, e saía para seu único passeio diário pelas ruas ainda desertas. O sol iluminava somente parte dos prédios, e a brisa da manhã ainda era fresca. Seu passeio era curto, apenas por algumas ruas vizinhas, às vezes até o rio, onde parava por alguns instantes. Depois, voltava para casa e finalmente tomava o café, aos goles curtos que o faziam perdurar, gelado, até quase ao meio-dia.

Nesse meio tempo, gostava de ler. Abria um de seus muitos livros com uma mão, segurando a xícara com a outra, e gastava a manhã inteira para ler nunca mais que cinco páginas, entre goladas e caminhadas pensativas pela casa. Quando se esgotava o tempo, fechava o livro e o guardava. Na manhã seguinte, seria outro. Nunca os lia completamente, embora freqüentemente os repetisse, reiniciando, porém, de novo da primeira página.

A hora do almoço era solitária. Não que as outras não fossem, mas era quando mais as percebia assim. A refeição era simples: porções de arroz e feição requentadas, alguma carne, de vez em quando massa sem molho. Gostava de cozinhar algumas coisas, e até achava que cozinhava bem, mas tinha preguiça de o fazer somente para si. Cozinhava pouco para ter pouca louça para lavar. Comia segurando o prato sob o queixo, às vezes escutando algum programa esportivo, ou de humor, no rádio.

Enquanto isso, o sol subia até o ponto mais alto do céu. As tardes eram os piores momentos dos dias, ansiosas e calorentas. Sua mente fervia. Pensava em mudar radicalmente sua vida, tomar alguma atitude, fazer alguma coisa, mas aquele sol batendo sobre os móveis e o ritmo maluco que observava pela janela sugavam suas iniciativas. Algumas coisas eram tão rotineiras quanto essas sensações: por exemplo, havia sempre alguma reforma, algum martelar, algum barulho de furadeira, na casa de algum vizinho. Todas as tardes, a tarde inteira, agonizantemente. Não conseguia tranqüilizar-se para continuar a leitura iniciada na manhã, e, então, ficava revezando entre o rádio e a TV, não prestando atenção nem num, nem noutro, também aos goles, mas, nessa vez, de um guaraná já sem gás há semanas.

Até que a noite finalmente chegava, aos poucos, e era quando percebia que o dia havia passado. Olhava a geladeira para ver se havia alguma coisa para comer na janta, torcendo para que não houvesse, para que precisasse ir até o mercado comprar pão, queijo e presunto, mas geralmente havia. Torcia, então, para que algum amigo lhe telefonasse o convidando para uma cerveja, embora soubesse que não deveria fazer isso numa terça-feira, ou quarta, ou quinta, embora também soubesse que, sinceramente, isso não lhe fazia a menor diferença. Mas nada disso acontecia, e então jantava algum sanduíche, novamente com um prato sob o queixo, e novamente ao som do rádio, nessa vez escutando a um programa de canções melosas que lhe faziam lembrar os pequenos namoricos do tempo de colégio, compartilhadas com outros ouvintes que ligavam para a rádio as pedindo. Somente depois, já de madrugada, ia banhar-se e preparar-se para dormir.

Apagava as luzes consternado, cansado, mas ainda sem sono, torcendo, agora, para que o dia não amanhecesse chovendo. Quando amanhecia chovendo, tinha que esperar o café passar em casa, olhando para a cafeteira

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Noite Campesina

"Starry Night" (Vicent Van Gogh, 1889)

Era uma daquelas noites frias, mas de pouco sono.

O casaco sobre o corpo bastava para mantê-lo aquecido, e o vinho na mão fazia seus pensamentos transgredirem enquanto ia e vinha da varanda ao pasto do quintal que se misturava no horizonte ao das demais colinas.


Entrava,
servia mais vinho,
se aquecia junto ao fogo,
afagava o cachorro,
e voltava para a rua,

com vapor a sair pela boca,
os dedos a entorpecer pelo vento,
o corpo a encolher por entre os braços,
a vista a vagar por entre o céu absurdamente estrelado,


e os campos escuros a esconder passados,
memórias,

e amores.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Minhas Caminhadas

imagem: pxleyes.com/blog
Minhas caminhadas me fazem homem.
Calejam minha vida,
e a faz existir,
ser!
nada mais
que eu mesmo.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A cada passo que dou

A cada passo que dou,
a cada conquista,
também há perdas de pessoas, coisas
que deixo para trás.

A cada passo que dou,
dor,
dói,
e penso

se tem valido a pena a caminhada,
tanta caminhada,

ou se não devo deixar isso para lá,
e só acelerar o passo,
para que o vento no meu rosto
nuble meus pensamentos.


sexta-feira, 17 de junho de 2011

Sou Solo

Sou solo.
Rocha, pedra, terra.

Que vê de baixo
tudo lá, grande,
imenso.

Residente em mim, porém,
e a que

sirvo,
dou vida.

Sou solo.

Que recebe tudo aquilo
que não mais serve,
que está podre,
que está morto.

Mas que me alimenta,
e com que

sirvo
dou vida.

Porque sou solo.
Rocha, pedra, terra.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Querida Vivian,

Li com atenção um dos teus últimos escritos, e fiquei bastante agraciado com o que encontrei lá, ao mesmo tempo em que um sorriso me vinha aos lábios a cada palavra da tua mente que ressoava na minha, através das tuas palavras que lia. Embora já sejamos amigos há algum tempo, não pensei que nossa afinidade chegasse a tanto, a ponto de me reservar um tempo para, diretamente, comentar contigo o que lá escreveste.

Antes de qualquer coisa, gostaria de mostrar minha solidariedade com o que sentes, pois foi esse o sentimento que me veio quando li o teu texto, sendo que me incentivou a te escrever essa carta. Da mesma forma que tu, costumo frequentemente me sentir uma pessoal solitária, meio que de forma patológica. Comigo, no entanto, essa solidão vem em surtos, em manhãs de domingo tendentes à ociosidade, ou em madrugadas como essa, na frente na tela do computador, enquanto te escrevo essas frases, às vezes regadas a vinhos e baladas antigas, às vezes tomadas simplesmente por uma ansiedade tão patológica quanto aquela solidão, que não me deixa dormir.

Agradeço, todavia, a essas madrugadas insones, o fato de ter te conhecido. Afinal, se não fossem elas, perderia muito das conversas que já tivemos, e da companhia que, muitas vezes, era somente tu, no outro lado de uma janela de computador. E me impressiona o fato de, apesar disso, ainda não ter tido a disposição suficiente para agarrar minha mochila e ir atrás de ti, para, enfim, te conhecer pessoalmente. Acho que isso se deve a um certo receio que tenho de te desmistificar, de perder a magia que rodeia essa nossa amizade tão pitoresca, se não singela. É como se temesse, como tantas vezes já temi, que ver-te na minha frente mais que sacie a vontade de te ter a meu lado, mas induza a vontade de te ter nos meus braços.

Pois disseste que amas somente pelo prazer de amar, sem esperar retorno pelo que sentes, e que isso é um sofrimento com o qual te acostumaste. Digo-te, Vivian, que há poucas coisas tão apaixonantes numa pessoa quanto essas tuas impressões nostálgicas, ao mesmo tempo em que há outras tão raras capazes de fazer as pessoas se afastarem. Assim penso eu, pois tenho a sensação de que costumo me afastar daquilo que admiro, da mesma forma que evito qualquer estrada que rume à Niterói, sob o temor de enfrentar coisas que desconheço. Isso, no entanto, não significa que não haja amor em retorno a ti: significa, só e talvez, que esse amor também esteja escondido, lá junto com a solidão de que falaste, não intentando nada em troca como o teu, sem assim, porém, um dia poder encontrá-lo.

Parece que amor e solidão são uma coisa só, não é mesmo? Que um leva ao outro necessariamente. Fico impressionado quando vejo as pessoas colocando o amor como meta de vida, ou desejando isso a outras em seus aniversários. É como se lhes desejassem essa solidão que sentimos juntos, essa amargura no fundo do peito, ao mesmo tempo em que esse desejo de que as coisas fossem diferentes, essa vontade de simplesmente sermos iguais aos outros. E quando finalmente o nosso amor é correspondido, sentimos saudades das nossas madrugas de conversa pela internet, das nossas músicas regadas a goles de vinhos e cervejas, sozinhos em nossos quartos, zanzando em círculos até os primeiros raios de sol aparecerem por entre os prédios e o sono nos abater por completos.

Enfim, minha querida Vivian, acho que sei o que quiseste dizer...

Só peço a gentileza de não interpretares mal essa carta. Minha intenção com ela foi somente, como já disse, mostrar minha solidariedade, e dizer o quão me identifico contigo e com o que escreveste – o que me deixou tentado a isso te dizer. De um tempo para cá, escrevendo aos outros, tenho visto o quão meus sentimentos incomuns, que antes pensava serem somente meus, são também de outras pessoas, e isso tem me feito bem. Espero, portanto, que compartilhar o que sinto contigo também te faça.


Deixo-te, por fim, um carinhoso beijo.


Do teu admirador,

Diego

p.s. Linda a foto do farol.

domingo, 17 de abril de 2011

Eu deveria estar feliz,

ou sou só um homem de pouca fé?




.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Medo de Mim

E se a existência fosse um parque de diversões?
Que valor teria o ingresso
não fosse o medo da montanha russa?

Ah, quem me dera fosse eu
mais que um protagonista da vida
mas a vida uma protagonista de mim mesmo.

Pois bendito seja o medo,
que masturba os corajosos!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011


esse sangue
esconde minhas vísceras
minhas visceritudes
minha desonestidade
enquanto me corroo
em pensamentos
vermelhos
polvorentos
imundos
caídos lá de cima
sobre o que resta do meu apego
a coisas que acredito
que venero
que me sustentam
e a dor antes funda
emerge
ressurge
como deve
até voltar
a me acalmar
e me lembrar disso tudo
somente pelas cicatrizes
que me marcarão
pra sempre

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Por que poemas?

Poemas para loucos.
Poemas para dormir.
Poemas para acalmar.

(As pernas.
O corpo.
A alma.)

Poemas...

Poemas para existir.
Para existirem.

Por existirem.

E só.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

As Mulheres no Frio

imagem: momentosindividiveis.blogspot.com


Tu, leitor, também tens a impressão de que as mulheres ficam mais bonitas no frio?

Descobri ontem, durante uma conversa com um amigo, que não era somente eu a achar isso. Repara, leitor, te recomendo. Senta-te numa mesa de bar, peça uma torrada, um café, coisa assim, às três da tarde de uma quarta-feira. Senta-te, e observa. Procura ficar perto da porta, ou cuida a guria que te serve. Certifica-te que está frio deveras, suporta-o, e repara.

As mulheres passarão diante de teus olhos apressadas, cuidando de suas vidas como tu deverias estar fazendo com a tua. Repara seus rostos, suas faces e narizes avermelhados pelo vento. Seus olhos lacrimosos pelo mesmo, voltados ao chão, preocupadas com tantas coisas que nós, homens, somos incapazes de compreender. Repara seus ombros e peitos escondidos por aquela pesada blusa de lã branca, nos fazendo imaginar coisas que passam pela nossa mente de forma tão rápida quanto seus passos, diante da porta.

E passam muitas. Repara como são tantas. Todas iguais, igualmente apressadas, com rostos vermelhos. Igualmente lindas.

Não... Não há nenhuma vulgaridade, nenhuma parte de seus corpos à mostra. Seus rebolados e formas estão escondidos por suas roupas elegantes e necessárias nessa tarde cinza, expondo somente nossas idéias e vícios, que nos perturbam enquanto nos conduzem na vida. Repara como somos mal tratados pela imaginação que temos de seus corpos, e como essa imaginação, lá no fundo, nos alegra. Uma alegria simples. É aquela distração súbita, aquele sorriso que nos vem à boca daquele charme e mistério, daquela melancolia feminina que nos seduz sem sabermos porquê.

Parece que poderíamos de repente nos apaixonar por qualquer mulher. Sobra-lhes muito de belo, como reparas. Mas mais parece que nos falta algo, numa carência que jamais será saciada. É como se não pudéssemos agir, mas apenas... reparar. E reparamos.

Ah, leitor... Também tens a impressão de que as mulheres ficam mais bonitas no frio?

domingo, 17 de outubro de 2010



“Sempre achei as paredes da casa muito brancas.”

Assim terminou minha madrugada,
com uma maçã molhada nas mãos
(para evitar a cafeína, que me impediria de dormir,
como se fizesse alguma diferença).

Sigo na expectativa de que amanheça o dia
(mais um),
na expectiva de novo,
que o novo dia traga novas coisas,
um novo ânimo,
como têm sido em todos os anteriores,
enquanto o tempo passa
para nunca mais voltar.

E aquele café velho, antes evitado,
agora parece a saída para suportar a primeira parte desse novo dia,
até quando o calor substituirá a umidade,
e o cansaço da noite sem dormir, após o banho matinal,
virá... e nos fará dormir novamente,
para que fiquemos despertos de novo na próxima madrugada,

evitando carboidratos e refrigerantes de cola,
e procurando frases de efeito em filmes antigos.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Sobre Poemas e Flores

imagem: ulyssesteixeira.wordpress.com


Poemas são como flores:

Os plantamos,
os regamos por uma vida.

E eles crescem,
florescem,
e morrem,

para serem admirados

por outros.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

imagem: my-rusted-horses.blogspot.com

Cada gota do céu

a molhar meu rosto,
a escorrer pela minha pele,
a umedecer meus pensamentos.
a enferrujar minhas reflexões.

domingo, 18 de julho de 2010

SENTINELAS

Sentinelas expostos ao vento,
armas em punho,
esperando inimigos que nunca chegam.

E quando chegam,
o medo se confunde:

É a excitação de ver o inimigo tão vivo,
tão quente, alí,
logo à frente.

O inimigo com quem sempre sonhara.

E o sentinela, de armas em mãos,
destrói o inimigo a golpes fortes,
e o põe em pedaços.

E o que tanto esperara,
o sonho que tivera,
falece em sangue diante de seus olhos,
e o vento volta a fatigar seu rosto
enquanto passa a sonhar novamente
com uma nova companhia
que deseje a sua morte.