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domingo, 8 de março de 2009

fotografia em preto e branco

enterrava-se
entre palavras doces
e o terno desafio
de ser branda
diante das dores

era candura
ao beijar-te a boca
que trazia pavor
e silêncio

não se assombrava com nada
mergulhada em olhos azuis
poderia respirar liberdade

sonhava que o ventre alheio
só trouxesse do mundo
gozo e felicidade

e mesmo apaixonada
percebia-te todos defeitos
não o exaltava
em versos cegos

por bem querer
resignou-se
em cultuar o erro
o manco e a ausência

e suave sobrevivia
à espera de sua volta
sentada na soleira.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

enquanto nervosos corpos
sedentos mal saciam-se

línguas infectadas
de candidíase
e de espórios alheios
vingam-se em
sífilis
gonorréias
cancros moles
e herpes

que das vontades venéreas
não sobram nem a culpa
de serem transmissíveis.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

recado público

quando redefinir teus poros
catalogar fracassos
tentativas frustradas
vômitos vazios
por falta de fome

e enfim assumir
o beijo seco e parco
pela gula que tinha-me

procura-me nos classificados
de domingo!
é lá que publico
erroneamente, meus olhares
desprezados

encontre artigos por meu nome:
Diva Etérea Estéril Doidivanas e tua.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A estrada dos tijolos amarelos

tantos desistem ou se perdem
nessa fuga alucinada
sós e vazios quase ignoram
esse cenário cinza e ocre
permeado de vergonha verde
e de animas reais ou não
que deslumbram-se com o bordão:
“não há lugar melhor que nossa casa”

arritmias pedem
mais que um cigarro
uma carreira
ou uma dose intravenosa
de colapso nervoso
almejam a overdose do medo
e na escuridão da toca do coelho
ecoam vozes febris em alucinação:
“não há lugar melhor que nossa casa”

os pés cheios de bolhas
tocam-se sufocados
dentro de calçados vermelhos
pisam em compassos curtos
na ânsia de voltar à inocência
perdidos na cidade de concreto e pó
entre ascensão e queda sobre tijolos
da estrada amarela, repetem a canção:
“não há lugar melhor que nossa casa”

perdi meu lar e meu sapato de cristal
não confio mais nos homens de lata,
nos covardes, nem nos feitos de palha
sou real, mas represento em mim
Alice, Cinderela e Dorothy
pintadas numa pequena aquarela
em tons entre o azul e o carmim
e com elas sigo em fuga e digo:
“qualquer lugar, menos em minha casa”