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terça-feira, 26 de abril de 2011

Monólito

Deixar-me em várias coisas, o tempo
Coisas que me deixam marcas, entalhes

(espaços)

Na moça idade, pela subida
Eu arquejava junto ao monólito
Na boa idade, pela descida
Monólito que turva o horizonte

Hoje ficam as pernas tortas, coluna torta e caminho roto

(lembranças)

De lembrar a palavra certa

O modo correto

Memento

De falar:

Adeus.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Peralta

Sou fruto do descontente,
Rebelo-me, ausente

Sou pernas pro ar,
Vindo de um chão de nuvens

Abutre de um sem fim
De um monte de ideais

Abuso, demais, do que era em mim
Apenas um punhado de sonhos

Vereda que faz, qualquer cantor boêmio
Um mero aprendiz de sonetos infantis

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Aspargos

Tolhi em seus lençóis o verbo mais abjeto que encontrei
Chamei-lhe de puta, profana e rameira de sete ventos
Emporcalhei a tua pureza. Fácil. De pouca fama tu me eras.
Cingi a tua nudeza com correntes de humilhação
Torci teu ventre, lhe puxei o chão.

Eram como passavam nossos dias.
Na mordomia de nosso casebre.

Achega-se à noite seguinte; mesmo enredo, mesma prosa.
Tu me tomava a encosta, eu lhe fazia salão nas entranhas.
Tu me era estranha, maldita. Mas impossível de se reter
Pura represa, proezas estranhas para conter
Com pernas, sinos ou badalos.

Eram como marionetes.
Nós nas mãos do desejo, dia-a-dia.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Mulheres de Vida

Viga que sustenta o sucesso, do ventre ao ápice
Amoroso regresso àquilo que nunca foste
Mulher de vida, de vigor e alma

Mulher da vida, de tristeza e lástima
Regressa ao teu interior, pobre e maldita
Tú que foste um dia filha
Hoje nem a terra come

Serena, caudalosa e profunda
Interna é das mais belas, formosa amor
Mulher de vida, de sangue e cor

Mulher da vida, vadia e profana
Engana, engana tua carne e deita cá
Finge o urro, o sussurro vem usar
Cadeado que prende e sufoca o gozo

Mulher de muitas vidas, de futuro algum.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Tantas coisas

Esse caminho que to trilhando, oh mãe explica o que!
Já ouço tua voz fugidia. Quem diria. Sua cria no mundo.
Perdida. Pedindo perdão à estranhos. Tua filha.
Segurando o útero pela guia. Teu ventre. Tua, fui um dia.
E agora madre?

Do seu coração não arde mais alegria.

Das minhas entranhas grita a fome. Todos os dias.

É verdade. Não sofri o teu desespero.
Não me liguei no seu passado.
Desprezei o futuro.

Oh mãe, perdoa. Se te deixei no caminho.
Perdoa. Oh pátria Brasil!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Vago

Sol de post-it em céu de piscina
Armado rente ao vão segue o meliante
Cantante, trôpego, mas bem confiante
De mais uma manhã de alforria
É grande a cantoria na praça da Sé
É muita a fé de pequeno povo
Sôfrego, roto e inrotulável
Mantêm o passo pobre criança
Feito já de pó e desesperança
Fruto vulgo de amante porfia
E segue a cantoria: "lá lá lá vai o dia
Sente, rente a carne fria, pá pá pá
Frio metal, rápido e sem rancor, trá trá trá
Pernas e joelhos ao chão, tum tum tum
Menos um João no coro, oh oh oh
Mais duro o couro do cidadão, hum hum hum
"

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Um soninho



As vezes em meio ao montinho de cobertor sinto frio.
Sem mais nem menos, um arrepio pela minha pele caminha.
Sinto medo, um medo de não voltar,
um medo de não ter mais o brincar.
E o frio continua.
Com sua espreita sombria.
Sobre mim assobia.
Sinto esvair de mim a esperança e
a vela entra na dança:
Sombra, luz, sombra, luz, sobra sombra, falta luz.
Como crescer perdendo o medo do escuro?
Como crescer e não temer mais o desconhecido,
para que aquele conhecido, vire um amigo?
Eu poderia dizer se da cama pudesse descer,
mas o cobertor me protege, me acolhe, me acalma.
Eu poderia ser como os heróis, mas por que quando choro todos eles se vão?
Mais uma vez o frio. Abusa da minha companhia, urra da minha apatia.
Eu o esqueço, fingo que o esqueço, apenas espero.
Logo o sono vira meu amigo, logo os sonhos serão meu abrigo.
Mas o frio ainda estará lá amanhã.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Paciência

Ah, quando... (respira)
Sempre quis... (inspira)
Você nunca... (vomita)
Eu podia... (evita)

É hoje... (incita)

Se estiver... (irrita)


Por mim... (suspeito)



Para ti... (respeito)





Em nós... (amor)

sexta-feira, 26 de março de 2010

Remocejo



Vinda de qualquer lugar é aquela vontade

Da mocidade de encontrar a si, um mi(m), em (n)dós, quiçá
Dá. Ah, se dá. Virilidade e coragem, um padrão já tão antigo
Puído. Roído como as pernas do cidadão

Foge. Foge não. A vida está à espera de ti pra rolar
Entre as pernas do tempo, embrenhar a idéia
Que vem do intento de tentar, vêm, vêem rolar
Para soldar o tempo que está por trás e detrás do vento
Que aformoseia o rosto da menina, com cabelos revoltos no ar

Te convido pra amar. Se amarrar. Se esforçar
Mulheres, garotos padecem de ti e merecem um sim
precisam do pão que untam seus seios
Meninos, abrigo suas donzelas procuram
carecem do ão que forjas com a mão
Acolham-se, supram o canto que sai do ventre

Agora nós, a frente desse grande palco
Juntos ao final do ato. Pendemos em dizer
"Sim, sim. Foi muito bom viver."
Tivemos a quem ceder e conceder um braço amigo
Um peito cálido e um fardo de emoção
Gorjeios mil, elogios outros e não por poucos
Perdemos a razão e digo: "De nada foi em vão"!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Como vai? Como vem. Como vão!




por Pedro Xudré

No conforme do tempo eu até entendo

Esse desalento que vamos levando
Dizendo ois, olás e até-logos
Pois como logro por mais
A vida é curta na sua aurora
Esplêndida no seu alvorecer
E com o tecer dos anos vou compreendendo
Ficam nas amuradas de minha casa
As lembranças de verões que vêm e vão
Nos vãos ficam as tristezas, dando liga
Pois há ainda quem o diga:
Não é cedo para ir já?
A saudade dos que se foram
São peleia de grande porte
Por que seja a morte ou vastidão
Ainda segue reta a díspare vontade



Nesse espaço que ficou
Figura nas entranhas a verdade:
Quando vem, não sentimos
Quando vai, sentido não vemos