domingo, 21 de fevereiro de 2010

Se eu morrer amanhã

Se eu morrer amanhã
Não me deem elogios que não mereço
Nem flores que nunca recebi
Tampouco lembranças que não tenham

Não me tragam lágrimas que não sintam
Mensagens que nunca me enviaram
Cartas de amor que não me deram

Não me entreguem afagos que jamais vivi
Palavras de amor que não me disseram
Preces e amizade que não me dedicaram

Beijos que minha boca não conheceu
Prazeres de que não compartilhei
Guardem nos corações em que não entrei

Não inventem histórias comigo, se me excluíram
Rechaço abraços que me sonegaram
Rejeito gestos ternos que me recusaram

Deem sorrisos ao meu rosto pálido
Cantigas alegres ao meu redor
Comam, bebam e dancem

Celebrem a minha morte!

Enquanto me divirto com o patético cerimonial
De quem não compartilhou da minha história
Mas alega saudade do que não viveu

A quem não experimentou a alegria
De participar da minha vida
Não permito que chore no meu funeral

Vou rir em silêncio, enquanto minha alma vaga
E retorna ao colo da Mãe que me gerou,
Agradecendo a indiferença e a incompreensão

O que fui nesta vida
Não se esgota com a minha partida.
Eu sou e sempre serei

Permaneço na memória dos meus afetos
E na imensidão do desafio de viver,
Ainda que morra

Se é que vou morrer um dia
Pois, essencial e insubstituível,
Sou imorredoura, eterna, imortal

Para quem ousou me conhecer
E, apesar disso, conseguiu me amar

(Vera Pinheiro)

9 comentários:

Cíntia Thomé, Jornalista, Poeta . disse...

Somos eternas nas saudades...
Muito bom
ab

SUSANA disse...

Que lindo!

Adriana Godoy disse...

Adorei...muito bom! Compartilho plenamente com você esses versos. beijo.

Audemir Leuzinger disse...

alavares de azevedo ri satisfeito de onde estiver.
lindo.

Vera Pinheiro disse...

Obrigada, amadas e amados poetas. Mas saibam que não tenho a mínima pressa de que chegue esse amanhã para saber como vai ser. Estou de boa por aqui! Beijos e carinho.

Julia Duarte disse...

Muito bom, Vera!
Adorei!

vinícius Nunes disse...

é um bom poema retrata um problema social a hipocrisia das pessoas e como elas falam bem de você só depois que você morre nesse ponto concordo com a autora mas...
não concordo com a alusão feita no poema a vida imediata aposta morte nem com o pretenso fato de que os mortos vem o que os vivos estão fazendo.

Luciene de Oliveira Batista disse...

Amei! Perfeito!

Nanda silva disse...

Muito lindo :)