segunda-feira, 9 de maio de 2011

talvez o último poema ou o velho buk tinha razão

estudo para tela/ rafael godoy
para nina rizzi

não eu não respiro poesia nem vivo por ela
não me sinto poeta nem outra coisa que o valha
vivo na rotina dos dias incansáveis
e às vezes fecho a janela para não ver a manhã
sou como tantas
talvez um pouco mais triste
e quando menos espero
sinto que as palavras vêm
e tenho que escrevê-las

mas isso não é poesia nem ser poeta
talvez tirar do café um gosto diferente
ou olhar os carros na rua e pensar em poentes

e quando li nina hoje
me deu a sensação de que as palavras não viriam nunca mais
e olhar uma aranha na parede vai ser olhar uma aranha na parede
e nada mais

talvez esse não seja meu último poema
mas o velho buk sabia:

"se você está morto
você podia também ser enterrado
e jogar fora a máquina de escrever
e parar de se enganar com
poemas cavalos mulheres a vida:
você está entulhando a saída- portanto saia logo
e desista das
poucas preciosas
páginas."

meu blog:http://driaguida.blogspot.com/
blog da nina rizzi : http://ellenismos.blogspot.com/

14 comentários:

byTONHO disse...



e às vezes fecho a janela para não ver a manhã

♫ amanhã de manhã
vou pedir uma cicuta pra nós dois...♪

Oh! My GODoy!
É verdade... Como dói!

:o)

Batom e poesias disse...

Uma aranha na parede é só uma aranha na parede, e uma pedra é só uma pedra...

As vezes Deus nos tira a poesia, e Adélia também sabia.

Mas poeta?
Claro que você é!
Das boas.

bj
Rossana

Sandra Ribeiro disse...

Tenho dias assim, aranhas são aranhas, flores são flores, sentimentos são apenas palavras...Mas tem dias que tudo vira poesia, até a água que aqueço para fazer um café. Lindo post!

Cristiane disse...

Sua insppiração está tão evidente quanto as aranhas nas paredes...
Lindo desabafo metapoético...:)
Boa semana!

Wania disse...

Dri querida


As palavras voltam...
Elas sabem onde encontram VOZ!!!!!! ;)


Bjão

samuca santos disse...

buk, adri?
mesmo se não houvesse lido, assinava:
"mas isso não é poesia nem ser poeta
talvez tirar do café um gosto diferente
ou olhar os carros na rua e pensar em poentes"

viva!!!

Graça Graúna disse...

"e quando menos espero
sinto que as palavras vêm
e tenho que escrevê-las"

...e quando li o seu poema, Adriana, intui que escrever é uma forma de viver diferente e sempre uma maneira de driblar os carros, de ir fundo ao poço e tocar a vida. Parabens, querida.

Assis Freitas disse...

poema para a Nina tinha que ser assim,

beijo

Úrsula Avner disse...

Poxa Adrina, arrasou hein ?

Poema de temática intimista, profundo e simples ao mesmo tempo. Bela homenagem !

MIRZE disse...

Beleza é isso, DRI!

Saber dizer o certo na hora certa. Com um "finesse" de dar medo. Mas não concordo muito com o egoísmo do Buk.
Já que para ele uma barata na parede é só isso, sem respeito nenhum à natureza e à função biológica dos aracnídeos, ele que pulasse primeiro.

Beijos

Mirze

danilo disse...

adriana,
"tem dias que a gente se sente
como quem partiu ou morreu
a gente estancou de repente..."
mas aé só piração- e quem é mordido pelo veneno da poesia sabe que as aranhas na parede não só aranhas na parede- são arranhos nas paredes, são hieroglifos, sãoa grifos voadores, são ganchos, são saltos mortais, são teias, sãoa fios que não findam seu fiar, como penélopes.
e que seria da vida sem a apoesia, sem o lirismo das iddéias, o concretismo das palavras, o inusitado das imagens e dos momentos que ficam, aprá sempre, na aretina e na memória?
você é poeta maravilhosa- do cotidiano, das coisas pequenas, daa rotina, e tamabém uma aleitora generosa-
agradeço pelo seu blog tão bonito, pelas imagens lindas, pelos poemas, e pelos seus comentários tão criativos e inspsirados nos meus textos- confesso, às vez\es, piro nas palavras...
mas sé bom estar assim, pilhado, pirado, parar é morrer
ou naão?
abraços empoetados

Danilo.

Adriana Godoy disse...

Pessoal, adorei os comentários! É bom demais saber que tem gente que gosta e até mesmo que não gosta. Valeu muito, valeu mesmo! beijo

sopro, vento, ventania disse...

é... as palavras têm esse dom mesmo, de escolher a voz certa. que bom poder ouví-la,
lindo poema.
beijos

sopro, vento, ventania disse...

eu não sei o que dizer diante disso tudo aí made by godoy, a não ser: amém!
dor-de-e-de-ser-amor.
beijos, querida, você é sempre esse poço de emoção.
Cynthia