quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Para uma cidadezinha qualquer


pintura interior mineiro,espatulado, pintura à óleo* 

Pequeno mimo a perder-se ao longe
                                              [nas Gerais
Em furtivos fatos de antanho se via
A mocidade anêmica e trivial fobia
A expandir-se a sombra do horizonte
                                                   [extremo
Oh, diminuto espaço, protuberância
A  se cravar nos montes – com que ânsia
Almejas alcançar os céus?
A qual sorte de ventos
Deixaste o teu triunfo crendo a vida
Imenso carrossel?
Oh, pobre menina, por que deixaste
                                               [a trança
Envolvendo-se em longos dramas
Sem exercer nenhum papel?
Coadjuvante de um filme sem regras
Suas noites são matizes de carolas
                                             [que rezam.
E tu, pequenina, dormes.
Inocente e febril em desejos recalcados
que ninguém vê.
Pobre cidadezinha distante
que agora como antes
em gemidos reprimidos segue a desfalecer.
Descanse em paz cidadezinha 
Sob os escombros da modernidade
Mergulha no caos – deserto dissonante –
Em lupanares de excentricidades.

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***não consta autor do quadro no site:  http://www.dreamaid.com/viewProductAction.do?id=937

9 comentários:

Henrique Pimenta disse...

há muitas para além
mas são sempre minas

João Luis Calliari Poesias disse...

"Viagem" ao interior--da gente--

Kiro Menezes disse...

Quão fascinante pode se tornar
palavra destilada ao amar!!!

Encantador...!

rogerio santos disse...

Gostei bastante...
Abração
Rogerio

Flávio Otávio Ferreira disse...

Veleu, pessoal!
Grande abraço a todos!

L. Rafael Nolli disse...

Muito bom, Flávio! Pequenas cidades do interior de Minas! Cidades repletas de poesia lutando contra a máquina da modernidade, tentando sobreviver!

isaias de faria disse...

o louvor e a tentativa de desvendamento pelo poeta.
bom ler vc flávio

Pulpo Variete disse...

me gusta mucho tus letras

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Flavio Machado disse...

um belo poema, abraços.