sábado, 16 de outubro de 2010

de insônia


madrugada de distâncias infinitas
que escorrem liquefeitas à janela
e cintilam no asfalto rua afora
entre cães adormecidos e mendigos

liquefazem-se as distâncias não o tempo
que este escorre indiferente à madrugada
e branqueia o cabelo enruga a face
num rosário de alegrias e desditas

onde a vida embora vida não é bela
e se bela é de ontem não de agora
que ora alterna-se entre leitos e jazigos

e onde amor é sempre tédio ou contratempo
corpo aqui corpo acolá numa enxurrada
de vazio e solidão por desenlace



Márcia Maia


4 comentários:

Cássio Amaral disse...

Marcia Maia, Vitor Barone e toda a galera do Poema Dia,

Convido vocês para lerem meu livro inédito de haikais ENTEN KATSUDATSU que saiu na GERMINA LITERATURA:

http://www.germinaliteratura.com.br/booksonline_cassioamaral/booksonline_cassioamaral.htm

Abração a todos. Muita luz.

ca
www.cassioamaral.blogspot.com

Cássio Amaral disse...

*Victor

Flávio Machado disse...

Um belo poema.

bjs
Flávio

L. Rafael Nolli disse...

Márcia, como sempre nos oferecendo um ótimo poema! Imagens belas sobre a noite, o tempo e o amor.
Beijos.