domingo, 29 de agosto de 2010

A Morte dos Outros (João Cabral de Melo Neto)

A morte alheia tem anedota
que prende o morto ao dia-a-dia,
que ainda o obriga a estar conosco
já morto, ainda aniversaria.

Só que não vamos pelo morto:
Queremos ver a companheira,
a mulher com que agora vive;
comprá-la, de alguma maneira.

Dizer-lhe: do marido de hoje
mais do que amigos fomos manos;
para que, amiga, salte um nome
de seu preciso livro Quandos.


João Cabral de Melo Neto

3 comentários:

Joe_Brazuca disse...

Caros amigos todos !

pela 1ª vez (sempre existe uma, inevitável...) ESQUECI-ME do meu dia 25 !...acontece com as melhores famílias...

Publico aqui, um dos (senão o mais...) meus preferidos : João Cabral de Melo Neto

um abraço a todos !

Joe Brazuca

Albuq disse...

Oi Joe,

perfeito esse do João Cabral de Melo, ótima escolha! bjs

Renata de Aragão Lopes disse...

Espetacular!