sábado, 18 de abril de 2009

A Última Lua

No mosaico do céu
o pedaço mais brilhante
era teu.

Cheia, nova... toda tua
era o enfeite mais perfeito
do quadro pintado na janela.

Pois quando te encontrei,
ela se jogou lá do alto
e teus passos no asfalto
viraram festa, vida nova.

Ah... a lua era a prova
cabal e palpável
do universo que brinca,
ao conspirar senil
por mim...por ti...

E na noite derradeira
que anunciava o fim...
pobre de mim...

Deitado na rede
e envolto na sêde
de te ter ali.

Soube que a lua
já não viria
e que ela brilharia
para um outro alguém
que nem tem
a saudade crescente
e que agora...
é minguante...

De volta à rua...
depois o eclipse
da última lua.


Anderson Julio Lobone

3 comentários:

Joe_Brazuca disse...

por vezes esperamos nossas luas mas elas nos escapam, e se escondem como num eclipse.

só que para sempre...

Muito bom, Poeta !
abs</B

Adriana Godoy disse...

Bonito, especialmente os ´primeiros versos:
"No mosaico do céu
o pedaço mais brilhante
era teu." Lindo.

Felipe da Costa Marques disse...

Belo poema, adorei.

mas me fez pensar em se se um dia a lua acabar

e recito vc:

"a saudade crescente
e que agora...
é minguante..."

abraço