sábado, 18 de abril de 2009

A imoralidade do fulgor

O clarão dá luz à sombra:
cláusula de contraste
na sanção tribunal do universo

Lá, o juiz
...um grande olho chamado física
......ou a grande física chamada deus
não admite advocacia

não admite, nem quer saber

a luz é imoral claridade
uma criadora suja
mãe solteira cuja arte
concebe trevas na difusão dos corpos

vê se a física tem juízo

a sombra não cria luz
vive livre
...sem princípio e
...sem caráter

quando representa,
é ela quem diz no primeiro ato:
a dor da Terra
é a propaganda do Céu

12 comentários:

Adriana Godoy disse...

Instigante.

Renata de Aragão Lopes disse...

Victor,

seu poema foi debatido aqui em casa.
Todos gostamos!
Parabéns!

Tenório disse...

o teu escritos, como esse poema, me parece, foge de tudo que fazemos aqui. sua escrita busca alguma coisa que não domino. ela é perigosa, pois está no limiar da confusão, porém pelo seu surpreendente talento, (agora cito a godoy acima)instiga. é uma lógica tão sua, que me obriga ao raciocínio, ao debate, a concluir que ali, diante de mim, está um poderoso poema.

Parabéns, Meira!

Tenório disse...

errata: os teus escritos, falha minha. rs

Tião Martins disse...

Gosto desse Victor.

Meteu poesia bem no buraco negro.

Parabéns!

Kenia disse...

oi! Tudo bem?
Como faço para publicar um livro?
tenho que ser formada em letras? Ou algo parecido?

Victor Meira disse...

Adriana, Renata, Tenório e Tião, fico muito feliz com os comentários de vocês. É uma honra pra mim.

Vamo continuar nessa troca!

Beijós e abraços.

l. rafael nolli disse...

Victor, dentre a muitas razões desse ser um grande poema destaco a desenvoltura da linguagem, que não é simples, mas que flui de forma clara e direta, com uma clareza impressionante para um texto que trata de valores altos e contrastes gritantes. Beleza, meu camarada.

Compulsão Diária disse...

Corajoso Victor!
Fala de tema comum sem cair no piegas. Passa raspando na prosa e vooa poesia em lascas. Faíscas =)

Joe_Brazuca disse...

tuas letras são claras e despudoradas, como esse tal fulgor que propaga às rasgadas...Toca no fundo e eleva as mentes que as lêem...Uma não subexiste sem a outra e a terceira, livre que é, assombram na (meta)física...
e Deus ?...Continua brincado com seus brinquedinhos iluminados...

este seu poema me deu muito prazer.

abraço

Victor Meira disse...

Obrigado pelos comentários, Joe e Rafa, aprecio o carinho da leitura de vocês.

Bê, gata, o flerte com a prosa é inevitável. Não consigo deixar de tirar uma casquinha, haha.

Beijós e gracias!

Felipe da Costa Marques disse...

ótima lírica entre o cosmólogo e o linguista, ilustre bardo!

abraço