sábado, 24 de outubro de 2015

Um casal se apaixona no banco da praça



1
o casal no banco da praça
até então em encontros casuais
viria a descobrir naquele dia
que a noite
que existe desde tempos imemoriais
fora criada exclusivamente para eles

a mesma noite desde sempre
sendo aperfeiçoada aos poucos
através das eras geológicas
sendo organizada com cautela
para de repente chegar em seu auge

depois daquele dia, tudo ruiria,
e as estrelas começariam a se apagar
uma a uma, até não restar mais nada

2
o casal no banco da praça
viria a descobrir de repente
que a noite que os cobria
vinha sendo, unicamente
para eles, aperfeiçoada

a mesma noite que iluminou os oceanos vazios
a mesma sobre animais já extintos

a mesma noite que
anos a fio
levou os primeiros dos nossos
– imperfeitos, ainda com rabos –
a se abrigarem em cavernas
a passarem horas de medo
sobre os galhos das árvores

3
depois de cumprida a sua tarefa
– iluminar um casal no banco da praça –

a noite iniciava o seu declínio

2 comentários:

Hélio Nogueira Cardoso disse...

Publiquei no Google mais um comentário. Mas para não passar em branco aqui, tb deixo meus parabéns. Quem tiver o interesse e tb goste de poemas, visite este blog: deliberacoes.blogspot.com

O Grunho disse...

Bom. Parabens.