segunda-feira, 17 de outubro de 2011

tango


um tango na vitrola um vermute
à meia-luz na sala
promessa de pecado e de desfrute
mas inda se cala

aberto até acima do joelho
revela-se o vestido
decote debruado de vermelho
como prometido

e a mão conduz a mão até a dança
desliza no cabelo
daí ao colo à boca ao corpo e avança
mais — sem atropelo

e agora o que era dança beijo seja
e o que se oferecia
tomado e repartido se anteveja
como apetecia

(...)

manhã terno e vestido em desalinho
a um canto do sofá
um corpo noutro corpo faz seu ninho
— o que mais falar?



Márcia Maia


4 comentários:

BAR DO BARDO disse...

se

"a mão conduz"

nada mais se diz...

L. Rafael Nolli disse...

Não resta nada - tudo está dito, devidamente, poeticamente, dito.

Flavio Machado disse...

belo poema

beijos

Renata de Aragão Lopes disse...

"a mão conduz a mão até a dança"

Nada mais a se dizer...