domingo, 4 de setembro de 2011

GAVINE RUBRO - poema tão pequeno para tudo como cada tudo que nunca o chega a ser



[in Célula.Rubra]


deveria o sentimento ser expoente da razão
porque a razão é sempre mais que uma

cada mundo privado tem razões e respira,
o sol não pensa
mas juntos os homens são um sistema solar.

sem pensar em excesso
o mundo tornar-se-ia mais resolúvel
e palpitado pelo raio de toda a circunferência que compõe
o teu
mundo

e mais frequências sensitivas propagam-se noutras circunferências humanas
que tocam a tua
e partilham-se entre as suas áreas comuns experiências incríveis:
mundos que se conectam um no outro colossal e abruptamente
sem acontecer qualquer forma de colisão meteórica para extinção das espécies
porque a espécie auto-destrutiva de cada micro-mundo
reside no seu satélite feito disso a que se chama razão.

e esperas que os planetas se alinhem
que as pessoas te acudam
te amem
sorriam
abracem

não é acaso lá na longe lua não haver oxigénio
foi concebido para fazer respirar.
Ós moleculares vieram ao mundo
ao teu e ao mundo de todos,
movimentar sobre os espaços o tempo das existências

e enquanto sobes a essa tua lua virtual
vai-te doendo todo o corpo
latejando todos o pensamento
e quando lá chegas
vês-te na levitação

e já reparaste que foste disfarçado num artífice gordo?
roubar o oxigénio de outro mundo
para sobreviveres enquanto
quase
voas
no teu satélite solitário?

quase caminhas
quase voas
quase tocas
quase

vai-te latejando todo o corpo
doendo todo o pensamento
até que te lembres que és muito menos
que a distancia entre os planetas,
mais simples que todo o diâmetro que te cruza,
um pixel num universo de expansão surreal

e cairás dos teus foguetões imaginários
bem fundo submergido no teu coração
onde à superfície das áreas comuns
dos homens
verás nos olhos dos planetas o caminho
do teu.

Gavine Rubro

3 comentários:

João Luis Calliari Poesias disse...

Loucura à razão e simplicidade(sempre).Gostei da receita, Gavine. Abraço.

Ana Ribeiro disse...

Quando é que aprenderemos?

Henrique Pimenta disse...

Emoção é vida.

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