sábado, 9 de julho de 2011

o ar frio que entrava pela janela

arte: rafael godoy
mais de uma vez ele me disse
que havia solução
que nem tudo estava perdido

mais de uma vez ele apagou a luz ao sair
me deixou na escuridão do quarto
e pôs Milles Davis para tocar

mais de uma vez ele me cobriu com o edredon
colocou a mão na minha testa
para ver se eu estava com febre

mais de uma vez ele me beijou com olhos selvagens
me chamou de vadia de louca de perdida
e deliramos juntos no deserto de nossa cama

mais de uma vez ele chorou
olhando as estrelas

mais de uma vez jurei mudar
era só uma questão de tempo

mas depois de mil e uma noites
depois de apagar a luz do quarto
ele se foi

ficaram as estrelas
ficou a noite
e o ar frio que entrava pela janela

15 comentários:

Lara Amaral disse...

As lembranças se repetem no eco das palavras dos que partiram.

Excelente, Dri!

Assis Freitas disse...

ainda escuto o trompete do Milles nesse blue Valentine,

beijo

N. Barcelli disse...

Excelente poema, gostei imenso.
Beijo.

BAR DO BARDO disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
BAR DO BARDO disse...

essa tua visão feminina
é sempre no ponto

lira personalíssima

parabéns

gostamos

MIRZE disse...

DRI!

Que maravilha!

Como são repetitivos esses homens! Já pressupomos o que vai acontecer. Como se fosse uma só rotina para todos.

LINDO!

Beijos

Mirze

Francisco Coimbra disse...

Ótimo poema das mil e uma noites! Bjs

Úrsula Avner disse...

Oi Dri,

o cotidiano sempre bem retratado em seus versos... Bj.

L. Rafael Nolli disse...

Adriana, ler seus poemas é sempre um prazer! Surpreende.
Bjs!

dade amorim disse...

Um lindo poema do que nunca se esquece.

Beijo.

Cristiane disse...

Lindíssimo.

Sem mais palavras... Beijo!

Adriana Godoy disse...

Gente, valeram os comentários. É sempre um estímulo saber o que as pessoas acham do texto. Beijo em cada um de vcs.

Victor Meira disse...

Lindo, Dri.

danilo disse...

adriana,
o amar é mote continuo
morte continua e cotidiana
a cada um que se vai:
esse ar frio entrando pela janela
esse frio que penetra a espinha
chama-se desolação: aa perda
que o poeta não se cansaa
de cantar.
lindo poema...
abraços
danilo

Tomaz disse...

Milles Davis, a brisa e os sentimentos flutuando com ela... Sensacional ! Beijão pra tu, Godoy!