domingo, 3 de abril de 2011

AS PALAVRAS ESCONDEM A VERDADEIRA LINGUAGEM - SYLVIA BEIRUTE


















AS PALAVRAS ESCONDEM A VERDADEIRA LINGUAGEM


a minha língua é o ponto mais pequeno
da minha linguagem.
o azul é o ponto maior da minha insegurança.
esta chuva pode ser um homem desfeito.

o inseto vive o mesmo tempo que o seu desejo.
as coisas imortais nunca tiveram corpo.

a dificuldade de escrever revela uma leitura
ineficaz do espírito.

o instinto fechado é a metamorfose em bloco
sem um exercício atual da estátua.

o futuro exorciza o passado e esse exorcismo
é o presente.

nada do que disse acima é correto.
.
Sylvia Beirute
publicado no "uma casa em beirute"
.

4 comentários:

Joe_Brazuca disse...

tudo que disse acima, é verdadeiro...

muito bom, Sylvia !

abs

Kiro Menezes disse...

Instigante!!! Colecionadora de versares multiplos....

BAR DO BARDO disse...

Cara, é assim, considero que sua poesia atormenta.

Você é boa no seu fazer.

Aprecio.

Obrigado!

Francisco Coimbra disse...

Um titulo interessante e desafiador, dando apetência para partir à descoberta da “verdadeira linguagem”. Digo, as dicotomias não são pares antitéticos fechados, são palavras amorosas que afloram à superfície como sementes, desabrochando em seu olho para o nosso olhar:
língua/linguagem – palavra/declinação
azul/insegurança – céu/infinito
chuva/desfeito – homem/ideias
inseto/desejo – tempo/duração
coisas/corpo – imortais/incorpóreas
dificuldade/ineficaz – leitura/espírito
instinto/metamorfose – atual/estátua
futuro/presente – exorciza/exorcismo
Indo de dentro para fora, até ficar fora/dentro. Toda a leitura tem uma predilecção pela escrita, segui-la como a paixão que se incendeia no corpo, segui-la nas veias até à inspiração trazendo O oxigénio, para entrar em combustão! Obrigado.