domingo, 3 de abril de 2011

A maior que houver - Gavine Rubro

pelos olhos diurnos da brevidade
amparo-me no pó-de-açúcar
entre as brechas divisórias
de um bando negro de andorinhas
sobre o azul que me contorna nesta nuvem.

as andorinhas que galopam aladas,
um carrossel elástico e não linear,
percursos voláteis e de pompa,
somente interrompidos por elas mesmas
quando a asa pára
num sopro meticuloso de fôlego voador,
continuando novamente
o carrossel e toda a energia
abastecida pela força e descanso,
a asa e todo o corpo presente.

estes olhos diurnos de brevidade
capturam fotografias de neurónio
(reveladas nas águas sensitivas da idade do sangue)
ao afagar todas as formas colectivas daquelas aves,
nem para a frente ou direita
nem para trás ou esquerda,
apenas a travessia sem único sentido
para lá da necessidade.

estes olhos diurnos
que perfilham a brevidade pela minha nuvem
colhem sortudamente
todo aquele pó mago açucarado
dos desenhos esculpidos das andorinhas
como embriões minúsculos,
vindos da forma mais saliente
unidas sobre si mesmas,
naquele carrossel independente:
um enorme átomo de liberdade.

Gavine Rubro
14-02-2011
(Portugal, poema lançado após a meia-noite do dia 4 de Abril 2011)

9 comentários:

BAR DO BARDO disse...

>>>> demencial

GRaiN

au Désir

balaco

Gavine Rubro disse...

o poema como fragmento:

um disparo de bala em grãos
pelo desejo anti-demencia

grato pela apreciação, Bar do Bardo

Sam disse...

Uma beleza que dispensa qualquer comentário longo.

Um fragmento traduzido em plausos.

Meu carinho< Gavine.

Belo demais.

Gavine Rubro disse...

Muito obrigado por tais palavras, Sam. É um privilégio poder aqui partilhar poesia com outros que também a sentem.

Um bem haja,

com Carinho meu também.

Kiro Menezes disse...

O desenho é auto-relevo do universo que condensa tuas palavras!

Em jeitos, esvoaça sobre as cabeças que em feitos - lavras...

Lindas... ♥

Gavine Rubro disse...

Obrigado Kiro

obrigado a todos :)

Benny Franklin disse...

Sua poética: faz bem ao meu intelecto.

Abs.

Gavine Rubro disse...

Ora essa: a sua é que faz bem ao meu.

Um abraço

Francisco Coimbra disse...

«um carrossel elástico e não linear», este verso ilustra a ideia guardada e a percepção vivida durante a leitura, a plasticidade verbal, a sua não linearidade; «o carrossel e toda a energia» outro verso que transporta uma imagem, aborda e borda, a importância da energia que se sente alimentar toda a composição; «todo aquele pó mago açucarado» alimento de magia e doçura, um cativar despertando, o lado material/sensorial; «um enorme átomo de liberdade» importância dum verso, coesão do poema, fecho aberto na abertura do final encontrado! Dando a satisfação no gozo/ do gosto: «amparo-me no pó-de-açúcar», a doçura: «sortudamente». Parabéns!