domingo, 6 de fevereiro de 2011

ritual de passagem

destro sem nenhuma destreza (pois a natureza só me deu

a intenção)

a tipóia carregava o gesso inibindo os movimentos

de gestos aflitos.

de repente eis-me sinistro sem qualquer possibilidade

apenas a necessidade

primária de expandir a própria necessidade.

como um ritual de passagem

(na verdade um treino obtuso)

à noite

amassava bolinha de borracha. quando era dia

atirava pedras

em árvores imaginárias sem nenhuma pontaria. seguia assim

na convalescença

do tempo despertando desejos e mentiras enquanto

você colhia

trevos nos campos do passado.

3 comentários:

João Luis Calliari Poesias disse...

Necessário ritual, Sílvio! Beleza.

Henrique Pimenta disse...

bom texto

Kiro Menezes disse...

A beleza de se ter uma alma pura poesia, um papel em branco (ou nem tanto) e uma delicada letra escrita - esferográfica bendita,

que disso nasceu poesia fita,
do fundo dos olhos de quem vê, canta e grita - silenciosamente!