domingo, 30 de janeiro de 2011

John Ashbery & Marie-Clotilde Roose














O que é poesia
(Ashbery)

A cidade medieval, com frisa
De escoteiros de Nagoya? A neve

Que vem quando queremos que venha?
Belas imagens? Tentar evitar

Ideias como neste poema? Mas
Voltamos a elas como a uma esposa, deixando

A amante que desejamos? Agora
Terão que acreditar

Como acreditamos. Na escola
Todo pensamento foi penteadinho:

O que restou é como um campo.
Os seus olhos fechados poderão senti-lo por muitos quilômetros.

Agora, abertos numa trilha vertical.
O que poderia nos dar em breve? Algumas flores?



What is poetry



The medieval town, with frieze
Of boy scouts from Nagoya? The snow

That came when we wanted it to snow?

Beautiful images? Trying to avoid


Ideas, as in this poem? But we

Go back to them as to a wife, leaving


The mistress we desire? Now they

Will have to believe it


As we believed it. In school

All the thought got combed out:


What was left was like a field.

Shut your eyes, and you can feel it for miles around.


Now open them on a thin vertical path.

It might give us - what? - some flowers soon?














Dois poemas de Marie-Clotilde (Roose)


Canto livre

um corpo fresco à

borda da manhã


uma só existência

que louva e jubila

a existência


o pé direito do céu

se junta ao horizonte

ó terra fértil!


às vezes o poema

semelhante a uma prece

funde-se e dança


ao ritmo subjacente

conduz a existência

na justa medida.


Libre chant
un corps frais à
l’orée d’un matin

il suffit d’une existence
qui jubile et loue
l’existence

la droite ligne du ciel
rejoint l’horizontale
ô terre fertile!

parfois le poème
semblable à une prière
fuse et danse

au rythme sous-jacent
il porte l’exister
à sa juste mesure.



* * *


Um círculo se expande

gira sobre si mesmo

espiral sedosa

e perfumada


uma haste lhe transmite

um novo vigor

o cálice dança

sobre a ponta sonora


essências suaves

se misturam

até que se irrompa

do círculo a flor:


ó oitava perfeita!



Un cercle s’agrandit

il tourne sur lui-même

spirale soyeuse et

odoriférante


une tige le porte

d’une vigueur neuve

danse le calice

sur la pointe chantante


les parfums suaves

jouent entre eux

jusqu’à ce que jaillisse

du cercle la fleur:


ô l’octave parfaite!


(Traduções de Henrique Pimenta)

8 comentários:

João Luis Calliari Poesias disse...

Domingo promete e cumpre...

betina moraes disse...

traduções que conseguiram manter a nobreza das letras dos poetas em questão.

um deslumbre!

Mirze Souza disse...

Traduções perfeitas, Pelo menos as de
John Ashbery. Que poema, meu Deus!

Acredito que Marie também recebeu a tradução pelo que me lembro do francês.


Parabéns, mestres!

Beijos

Mirze

tonhOliveira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
tonhOliveira disse...



Traduz.you!
Traduz idos...

o pé direito do céu
se junta ao horizonte
ó terra fértil!


"O horizonte é o rodapé"!
O longe se juntando ao perto!

"Mar há, vi... ilhou-me!"

Oh not!

Márcia Maia disse...

Bravo, Henrique! Poemas belos e traduções idem.

Tomaz disse...

Parabéns pelo ótimo trabalho, seu do Bar ! Opa, Bardo! ;)

Abraço

Adriana Godoy disse...

Porretíssimo!