sábado, 9 de outubro de 2010

enquanto dorme

estudo de mulher/rafael godoy

enquanto dorme
um homem se atira do oitavo andar do prédio ao lado
e um cão perdido se estende no sol no meio da rua
três carros capotam na estrada
e alguns pardais tomam banho na água suja

enquanto dorme
a chuva inunda uma cidade inteira
ratos se escondem nas casas junto às pessoas desesperadas
e aparece uma flor no vaso da nossa janela

enquanto dorme
me deito ao seu lado
e olho para o seu rosto calmo e sereno
para o seu rosto calmo e sereno

12 comentários:

António Gallobar disse...

Muito bom, parabens adorei

Beijinho

Mirze Souza disse...

Fantástico, DRI!

Sono pesado, ou consciência tranquila demais.

O que importa é a meditação que você nos deixa. Nada atrapalha, nem mesmo a presença o sono de alguns.

Pensei em muitos, inclusive em políticos e governantes.

Maravilhoso!

Beijos

Mirze

José Carlos Brandão disse...

Excelente.
As imagens da poesia equilibradas na forma do poema. Gostei, Adriana.
Um beijo.

Renata de Aragão Lopes disse...

Bendito aquele que dorme...

Faço minhas as palavras de Mirze:
FANTÁSTICO, Dri!

Um grande abraço,
Doce de Lira

Úrsula Avner disse...

Oi Adriana,

quantas coisas acontecem enquanto dormimos... no sentido real e no sentido figurado. Òtimo poema revelador da nossa vida tão vulnerável e o desenho do Rafael é um dos mais belos que le já fez. Bj.

Assis Freitas disse...

enquanto adormecem as coisas no terno despertar, serenidade


beijo

BAR DO BARDO disse...

A pena é leve.
E dela sai sangue.
O sangue liquida.

Tenório disse...

Que coisa mais bonita, Adriana. Você acredita que esses dias eu pensava em algo assim? Quer dizer, pensava em como escrever sobre o que está acontecendo comigo, sem me desconectar do que acontece a minha volta, sabe? Abrir a percepção... há tanta coisa acontecendo...

Enfim, muito bom. Queria escrever com essa precisão!

Beijos

Adriana Godoy disse...

Gente, valeu! É muito bom ter esse retorno. beijos.

Victor Meira disse...

Muito suave, muito terno, Dri. Cheio de imagens bonitas.

Cíntia Thomé, Jornalista, Poeta . disse...

excelente poema!!!!

Francisco Coimbra disse...

Resulta muito bem a repetição introduzida nos versos finais, obriga-nos a acompanhar um olhar que nos é dado a ver ao longo do poema; um olhar para as coisas. Parabéns!