domingo, 27 de junho de 2010

A Esperança e as Caravelas

Por entre avenidas e flores
Meu ressentimento primeiro
Holofotes anunciam guerras
E meu canto sereno apenas pede: Paz
As minhas lágrimas mudas molham as calçadas
E um vendedor de balas distraído anuncia uma alegria fugaz
Sozinhos meus passos seguem em paz.
Em busca de um caminho que já não me lembro mais.
Pouco importa, tanto faz.
A fria indiferença ante anúncios de jornais.
Aqui jaz a vida: mutilada, esquecida.
Também se foi a crença e um bocado da fé.
Esperança, teu nome é de mulher.
Possuis em teu ventre o dom de gerar.
Tecelã do fio da vida: borda um novo amanhã.
Com meninos brincando em carrinhos de rolimã.
Vai, analfabeta e aprendiz, bailarina ou atriz.
Rabisca um mundo novo no quadro de giz.
Reconstrói e apaga de uma vez quanta atrocidade persistir e surgir.
Faz com sua delicadeza um mundo com poesia de Gentileza.
Em que a gente não sucumba ante à dor e à vil esperteza.
Traça em sua tela um mundo de novas caravelas.
Descobridoras de novos corações e talento.
Bane de uma vez o lamento.
E agasalha meu sonho, de menina e de mãe.

3 comentários:

Lírica disse...

Uma ode à mulher. Sinto-me lisongeada pela parte que me toca. Mas é mais que isso quando essa mulher é a Esperança, que é o que nos move e renova.

Barone disse...

"Sozinhos meus passos seguem em paz.
Em busca de um caminho que já não me lembro mais."

Maria Cintia Thome Teixeira Pinto disse...

incrivelmente belo à mulhaer...um relato poético...versos inteligentes ab