sexta-feira, 25 de junho de 2010

band-aid-kura-kaos


Onde estou, só asfalto,
sem mato
abro a janela
e me mato
polui_som barulho
debulho, tudo bagulho
carro+carro+carro+carro+carro+carro+carro+carro
stressssssssssssssssssssssssss
gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_
num ha quem agüente tanta
gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_
todo mundo triste e ausente
gente que num desiste, insiste
só o corpo presente
indiferente
distante
colados do lado do outro lado
calado que nem gado
sempre atrasado
só traslado
de corpo abalroado...

Tô querendo mato, água de fonte, grilo falante
bosta de bicho, folha, árvore pra sol escaldante
barro no pé descalço, balança de corda
som de riacho, canto de galo que acorda
fumo de rolo, café, fubá dentro do bolo
sentado na soleira da porta, ler folhetim
colher inhame, alface, pimenta, tudo da horta
cheirar rosa, camélia, cravo, arlequim
água de cheiro, banho de rio maneiro
gosto do angu com taioba, tempero mineiro
e depois de almoço, café da tarde
traguinho de cachaça, garganta que arde
tirar uma sesta na rede de trança
daquelas que até ventarola balança
ouvindo uma moda daquela, antiga
de viola soando brilhante,de sete cordas
em volta de gente amiga
alegre , sonolenta e vadiante
onde pouco importa todo o tempo
que já vai indo...indo...embora com o vento...
E na noitinha mansa chegando
deitar no remanso de toda essa lida
com meu amor, cheiro de flor,se encostando
fazer devagar,sem nenhuma pressa
aquilo que é precioso, e bom à beça
o que tem de melhor nessa vida...

©joe_brazuca-MMIX-sp/sp/br

9 comentários:

Vera Pinheiro disse...

Do kaos ao remanso. Adorei.

Flá Perez (BláBlá) disse...

gostei!
bjbjbjbj

L. Rafael Nolli disse...

Dois mundos em choque, em conflito!

Neuzza Pinhero disse...

gosto, Jo
do seu poema-dia
que me clariô


tenho amado ler em voz alta
esses poetas todos, esses poetas porretas.

um beijo!
(espero q vcx esteja aí, ouvindo passarinho e rio e tudo)

marcos assis disse...

muito bom, bem honesto, fluido como um riachinho de quintal

Cíntia Thomé, Jornalista, Poeta . disse...

Joe...nada como amar o que se faz bem...ao corpo a mente e esquecer o em volta, o nada...nunca foi a gente que ve e sente...mas não é nada...saiemos fora em orbita só de amar amar amar...

Leo Curcino disse...

belas palavras. gostei muito com a brincadeira com as palavras.

Hercília Fernandes disse...

O poeta canta a saudade do "bem perdido"... Numa linguagem criativa e atual reverbera, além das paisagens citadinas e idílicas, o caos humano.

Adorei ler seu poema, Joe.
Muito bom e explicativo!

Beijos,
H.F.

Joe_Brazuca disse...

UM BEIJÃO PRA TODOS...COM GOSTO DE MARMELADA COM REQUEIJÃO !...rsrs

valeu !... sempre vale !