quinta-feira, 24 de junho de 2010

pessimismo



 caminho o mundo feito caranguejo
eternas são as voltas ao ângulo de partida
onde o porvir nasce lateral e arcaico

não é fácil destituir ponto determinado
não é fácil enfrentar feras e feridas
não é fácil tornar luxo pardieiro

às vezes me sinto sem chão, sem seio,
e, meus dias, espero contados...





*Imagem extraída do blog de André Benjamim.

8 comentários:

Saozita disse...

Passei para conhecer teu blog ,gostei muito passarei por aqui
Bj

Carlos. Branco. disse...

nossa, incrivel essa imagem,
fria e ao mesmo tempo excitante.

www.carlosbranco.com.br

L. Rafael Nolli disse...

Hercília, belo poema. Uma carga de pessimismo reforçado pela imagem impactante. Bjs

Joe_Brazuca disse...

é o caos da alma...

mais uma, excelente, poeta !

Barone disse...

Muito bom!

Cíntia Thomé, Jornalista, Poeta . disse...

nao éfácil escrever como este poema...parabens sempre dias contados que façamos poemas e amemos quem nos ama e nos quer bem...amem

lindo

Hercília Fernandes disse...

Obrigada, Amados.
Gosto muito de vocês!
Beijos,
H.F.

j maria castanho disse...

Décimo Oitavo Cálice

Quando até a literatura é estrangeira
Na regra dos noves fora mais antiga
É condição redobrada ser a primeira
A contar de quanto trauteio a cantiga
De ficar absorto a soletrá-la pertinaz
Já que o corpo por repouso tudo aceita
Incluindo ler, que só à mente deleita,
Seja a tarde longa e calma ou fugaz
Que sempre voará se no fazer apraz.

Medido o tempo por esta clepsidra
Onde cada segundo é uma frase lida
A pingar da pipeta do entendimento
Tece enredos quem só decepa a Hidra
Lhe sega as cabeças do medo à vida
Tira à serpente gigante o tormento
E lhe dá em troca o jeito sagaz melado
De um S com asas dito voo soletrado
E no sibilo de uma língua enrolado.

A primeira letra de um nome, portanto
Só anda repetido adiante, se avança
Revestido na aliança serena do canto
Em que o compasso é passo e balança
Braço dado fazendo do par a esperança
Deste Alentejo como um lamento cantado
Na sesta amena ao ritmo arado do beijo
Que é outro tanto do canto do S no desejo.

Boca a desenrolar-se é só mandorla da fé
Num zero que a cabala indica, mas que é
O seixo do ábaco se a unidade multiplica
Por dez, por cem, por mil e até o infinito
Estica, dando ao ver o que só se acredita
Existir, sendo esse anel o aro de espírito
Suficiente à matéria como forma de lente
Prà visão num oito alcançar o ponto fito
Que nunca é visto só pelo olhar da gente.

Quem já viu longe e para lá do horizonte
Que a eternidade tem por coisa tão certa
Como uma árvore, colina, rio, ou monte
Habitado por família unida, sã e desperta?
Então, esse sabe até reconhecer a aresta
Que há no distante Sol cuja seta acerta
Raio de alerta e sobre a alma o rio apresta
Ao tempo contínuo, sem fim, sólida ponte!