quarta-feira, 19 de maio de 2010

O Menino e o sino


Um beato murmureja
uma Ave Maria!
Um menino boceja
pensando em Mariazinha!

A igreja vazia
é convite para brincar
com o sino.

O menino corre vadio
para a torre da igreja.
A passarada em alvoroço
voa lá de cima.

E o sino grita alto,
Eis um menino peralta
"Blém, belém, blém, blém..."

Nervoso, o sacristão
corre e vem dizendo:
"Chispa, menino matreiro,
filho de garrucheiro,
seu moleque atrevido!
Quem disse que podias tocar o sino?"

E o menino corre sorrindo,
feliz da vida,
feliz pelo sonho realizado!

4 comentários:

L. Rafael Nolli disse...

É isso aí, Flávio! Não conhecia esse poema! Gostei, é sonoro, nos mostra um mundo de vida tranquila, interiorana - mundo quase extinto onde meninos brincam tranquilos, despreocupados. Abraços.

TON disse...

Poemas também são máquinas do tempo. Infância. Ao ler esses versos viajei à dimensão onde ainda sou criança, sendo expulso da aula de catecismo pelo excesso de bagunça. Às vésperas de completar 50 anos (quius pariu!!!!!!!), isso me fez muito bem. Obrigado.

Flávio Otávio Ferreira disse...

Esse é um poeminha do "Cata-ventos", Nolli.
Caro Ton, fico feliz por lhe proporcionar este encantamento através do poema.
Abraços.
Paz e Literatura!

L. Rafael Nolli disse...

Realmente, conferi aqui no meu Cata Ventos! Concordo com o TON, uma máquina do tempo! Valeu, Flávio!