domingo, 6 de setembro de 2009

TAMARA

Tomara que chova em minha horta.
Tamara que chegue em minha vida
com poemas esvoaçantes nos cabelos
e flores coloridas nos pés.

Tomara que eu veja Tamara
todos os dias a entrar pela porta
com suas palavras amarelas
de inventar alegrias de curumim.

Tanta coisa eu diria para ela:
vírgulas de livros,
canários da Terra,
nankins para ideogramas,
e talvez eu escrevesse nas paredes da casa:

TAMARA QUE EU TANTO AMARA
CRIOU A TRIBO DOS ENCANTOS,
COM SEUS PÓLENS DE NOVIDADES!

E ela completaria os espaços com desenhos
e panos indianos e elefantes sagrados.
Eu contemplaria suas inevencionices
sempre de janela aberta
e diria:

Tomara que amanhã faça sol!


7 comentários:

Audemir Leuzinger disse...

adorei. e que tenhamos mais um ou outro dia de sol. e nao será neste domingo no Rio.
beijos

Adriana Godoy disse...

Muito bonito!

rogerio santos disse...

adorável. original e significativo. sabor de fruta boa.

Vieira Calado disse...

É muito curiosa essa palavra "tomara"

Do verbo tomar? Por certo.

Mas o interessante é a maneira como se utiliza (por cá, também).

Um abraço

Adriana Karnal disse...

delicado, parace um sopro do vento,com véus indianos flutuando

BAR DO BARDO disse...

Flávia, seu poema é de uma beleza intransigente. Muito bom!

Haja sensibilidade!

arash gitzcam disse...

Ah, o tempo...