quinta-feira, 23 de julho de 2009

Soturno


Inicie a música antes da leitura.


Chopin
enche de noite esta manhã
de inverno.

O sol
brilha e não aquece o virol
das nuvens.

O vento
sopra e não alivia o ferimento
das folhas.

O café
bem forte me mantém ao pé
da cama.

A escuridão,
o frio e a dor não estão
lá fora.



Renata de Aragão Lopes


Publicado em 8 de julho em seu blog particular.
http://docedelira.blogspot.com/



20 comentários:

BAR DO BARDO disse...

Oi, Renata!

Gostei do texto e infringi sua ordem, não escutei a música.

Beijo.

- Henrqiue Pimenta

Renata de Aragão Lopes disse...

Não foi ordem...
Mera sugestão.

Obrigada por inaugurar os comentários.
Um abraço.

Adriana Godoy disse...

Já tinha lido em seu blog, mas é um prazer a releitura. Belo poema com ou sem a música de Chopin. bj

Priscila Lopes disse...

É mesmo um belo poema, Renata; tem serenidade, não se desespera para "ser" nem "se superar".

Um abraço, Lopes!

TON disse...

Lendo e ouvindo a música a empatia foi completa. Me vi ali, na janela (eu vi que havia), com o café na mão, acompanhando uma folha levada pelo vento, tal qual essas emoções aqui de dentro. Mas não houve tristeza.

Lindo!

tania não desista disse...

minha memória ... havia marcado esse dia ,aqui,pra ler você.gostei de reler!..ouvirei a música... tomando um cafèzinho... com suas delicadezas
bjos
taniamariza

L. Rafael Nolli disse...

Renata, sem dúvida um belo poema. Bem estruturado. A música surge como um bom pano de fundo! Gostei!

Barone disse...

"Chopin
enche de noite esta manhã
de inverno."

Tião Martins disse...

Renata sempre faz bem à saúde.

Hercília Fernandes disse...

Lindo, Renata.

Poema de grande leveza musical, cheio de imagens sinestésicas que nos provocam boas sensações.

Parabéns!

Beijos :)
H.F.

Márcio disse...

Lá fora temos sempre muitas novidades, que o sol continue a brilhar.
Beijos com muito carinho.
Márcio

arash gitzcam disse...

Bom poema.

Victor Meira disse...

Pois é, o Chopin não abriu aqui. Aí li ouvindo uma sonata de Schubert.

Te vi sentada na cama, com um laptop no colo, ainda umas cinco e meia da manhã, num quarto meio claro, meio escuro. O Schubert me disse que o Chopin era um vinil bem conservado, tentando travar o tempo pra segurar a noite, e disse que a nuvem friorenta tava menos fria que seu pé metido no cobertor embolado.

Mas não sei se é verdade.

Renata de Aragão Lopes disse...

Adriana e Priscila, obrigada por já acompanharem o doce de lira! "Soturno" não lhes foi uma surpresa.

Linda a sua leitura, Ton! Realmente, este noturno de Chopin não inspira tristeza. Ao contrário, sublima a que já está instalada...

Que bom, Tânia, haver guardado o dia 23! Obrigada pela estima.

E que pano de fundo, Nolli... De arrepiar! : )

Obrigada, Barone, pelo registro da estrofe preferida!

Posso dizer, então, Tião, que o Ministério da Saúde me recomenda? (risos)

Obrigada, Hercília, pela análise tão delicada!

Papai, que alegria você aparecer por aqui todo dia 23! Sim, lá fora há um mundo cheio de luz à nossa espera...

Obrigada, Arash, pela visita!

Decerto, Schubert lhe fez boa companhia, Victor! Adorei o cenário que criou pra mim! Destoou da realidade em pormenores: Chopin estava no laptop sobre a cama e eu, como sempre, a escrever com caneta e papel. Os pés sob o edredon, de fato, mais frios que o vento lá de fora. O sol, mais brilhante que quente, a penetrar pelas frestas da persiana. Seu comentário me veio como presente! Obrigada.

Um beijo a todos vocês.

Benny Franklin disse...

Muito bom...

Tenório disse...

Muito bom, Renata!

Vera Pinheiro disse...

Renata, amada, faz todo sentido Chopin e a tua sensibilidade em versos. Parabéns. Relendo e ouvindo mais uma vez, de novo, tudo. Depois, voando ao teu blog, claro

Renata de Aragão Lopes disse...

Benny e Tenório, obrigada por apreciarem!

Vera, obrigada pelo carinho de suas palavras e pelos vôos ao doce de lira! : )

Audemir Leuzinger disse...

Lindo demais. Desculpe a demora em comentar. Muito trabalho com outras escritas. Principalmente a escrita cinematográfica. Mas, cada vez mais lindo poema. Cada vez que releio.
Beijos

Renata de Aragão Lopes disse...

Escrita cinematográfica?
Que bacana!

Obrigada pelo comentário!
Atraso perdoado. : )