terça-feira, 23 de junho de 2009

O tempo


O que é a vida
se não uma sucessão de ontens?
- penso eu.
O dia da morte
não será ontem
pra quem morreu.
Vive-se de criar
o ontem
do dia seguinte.
Vive-se de pintar
o passado
em quadros
de pouco mais
de vinte metros quadrados.
O hoje é ficção:
diminutos
fragmentos de minuto,
partes
de um ontem em construção.


Renata de Aragão Lopes

6º lugar no 1º Concurso Literário da Academia Campista de Letras, realizado em 2009. Prêmio: publicação na Revista da Academia.
http://www.camposletras.com.br/artigos.php?id=22

Publicado em 2 de junho em seu blog particular.
http://docedelira.blogspot.com

15 comentários:

Débora piacesi disse...

Vanos tratar de alargar o presente, mocinha! saudades

Renata de Aragão Lopes disse...

Querida! Que surpresa! Ainda ontem vi nossa foto: eu, você e Dani! Saudades também! Beijão.

L. Rafael Nolli disse...

Olá, Renata, muito interessante as questões levantadas pelo poema - que é muito bem arranjado e desenvolvido. Gostei! Abraços!

Adriana Godoy disse...

Essa questão do tempo sempre fascina os poetas. E você soube aproveitar bem esse tempo. Belo, Renata. Bj

Adriana disse...

Renata,
tempo,tempo,tempo, mano velho,como diria o pato Fú...vc bem disse, só amanhãs...

Helena disse...

Tempo, um assunto fascinante, o ontem inexistente e ao mesmo tempo, paradoxalmente, tão presente. "Ontem em construção" - bonito isto. belo poema.

abração,

Helena

Vera Pinheiro disse...

Baita inspiração, Renata! Beijos de parabéns!

Bea - Compulsão Diária disse...

Então vou repetir o comentário lá do dia 2/06;)
As marcas de minutos, diminutos pontos de identidade. Sem isso nada seráimos, Rnata.
poema bem construído. Belo jogo com as palavras e imagens.

Renata de Aragão Lopes disse...

Obrigada, queridos, pelos comentários!

Márcio disse...

Oi minha filha, cada dia admiro mais você, gostei muito do "hoje é ficção", quer saber, gostei de tudo!
Beijos.

Renata de Aragão Lopes disse...

Seu comentário, papai,
foi mais que especial...

Joe_Brazuca disse...

esplêndidas reflexões !

Aliás, vivemos pensando nessas questões de tempo, espaço, vida e morte...porque será ?

um beijo

Barone disse...

"Vive-se de pintar
o passado
em quadros
de pouco mais
de vinte metros quadrados."

Gostei.

Renata de Aragão Lopes disse...

Precisamos delas, Joe! : )

Obrigada, Barone!

"Olhos de Folha Minha" disse...

Ontens fazem a gente em tiras, em versos plurais

adorei