sexta-feira, 17 de abril de 2009

imagem: www.poisonheart.blogs.sapo.pt

Cinza o céu,
cinzenta a paisagem,
cinzeiros a meu lado.

Cicatrizes na pele
cicatrizam antigas dores,
das quais eu sequer lembrava.

E essa vida segue...

Subindo morros sossegados,
sabotando sambas,
saboreando gostos sórdidos,
sobrando vontades,
escasseando o tempo.

(...)

Sempre soube que assim seria:
que socorreria a mim mesmo
sob o sol de um dia cinza, assim.

E com essa sina que me persegue,
a surrupiar meus vitais sinais
sem cessar.

Sem cessar.

4 comentários:

Victor Meira disse...

Tem um peso morno, Diego. A aliteração é um recurso meio cinza. Passa igualdade nos padrões, que refletem o ambiente citadino de céu prateado e mesmices eternas.

Gosto da poesia.
Abraço!

Vera Pinheiro disse...

Gosto do recurso sibilante, que parece um sussurro, um sopro, um assobio de versos. Um abraço.

Hercília Fernandes disse...

"Sempre soube que assim seria:
que socorreria a mim mesmo
sob o sol de um dia cinza"...

Trago, comigo, essa sensação.
Seu poema tocou-me profundamente.

Beijos :)
H.F.

Felipe da Costa Marques disse...

palavras que não cessam
emoções que surgem

abraços