sexta-feira, 6 de março de 2009

o fantasma da floresta morta

uma planta rompeu o asfalto
ínfima
imaculada
verde
desafiando a paisagem
imponente
impura
cinza

um projeto de planta, concreta
ímpar
inadvertida
imprevista
entre plantas de concreto projetadas em pranchetas
inventadas
improdutivas
ilícitas

uma planta brotada ali
intrometida
imponderável
inaceitável
tão longe dos iguais
pictórica
picnofólia
pigmística
num ambiente de desenhos surreais
inóspito
impróprio
impossível

uma planta de vida
imperativa
mas imprudente
impávida
mas improvável
impessoal
mas impopular
anti-estética
anti-ética
anti-métrica

uma planta com a vida
pisada atropelada arrancada
impúbere
implacavelmente
da haste insípida

uma planta nati-morta
mas de esperança infinita.

6 comentários:

rogerio santos disse...

Outro dia, no muro de casa, nasceu uma plantinha. Provavelmente, algum passarinho atingiu o muro em pleno vôo e a natureza fez o resto. Por incrível que fosse, do muro brotou essa plantinha que deu até um fruto pequeno. E eu curtindo o acidente. Até que uma linda criança, arteira passou por lá e sem a menor cerimônia arrancou a planta do muro.

Teu poema bem que caberia para a planta do meu muro, que teve vida breve, porém, muito poética.

O papo assim, embora besta, é verídico.

Legal tua leitura.

Abraços
Rogerio

Benny Franklin disse...

Viagem de ficar!
Muito bom!

Adriana disse...

Gostei desse poema pela imagem que proporcionam os versos. Muito bom.

Barone disse...

Gostei também.

Assis de Mello disse...

Essa plantinha mostra que os deuses não dormem depois de 7 dias de criação. A criação continua... E sequer sou criacionista.
E por falar em planta, senti na planta dos pés o calor do asfalto onde essa plantinha germinou infimamente.
Muito bom, Sidnei

Hercília Fernandes disse...

Adoro adjetivações e [bom] uso de proparoxítonas e paroxítonas, pois são recursos que intensificam os sentimentos e os sentidos do conteúdo de comunicação.

Seu texto expressa muita riqueza, tanto em termos de figuras de linguagem como de pensamento.

Que essa planta refloresça as “flores de cimento” espalhadas nas cores cinza da cidade... e suscite nossos hábitos humanos.

Muito bom seu poema, Sidney.

Aplausos!

Abraços em Todos e Todas,

H.F.