sexta-feira, 20 de março de 2009

Flores.

Ela fechou a porta
A outra dormiu os olhos por um segundo

Ela prometeu não voltar
A outra chorou de amor

Ela deixou seu cheiro
A outra sentiu saudades

Ela deixou um bilhete
A outra não leu

Ela não ligou
A outra herdou o silêncio

Ela foi procurar seu tempo
A outra ficou sem ar

Ela disse que voltaria um dia
A outra acreditou

Ela se entregou para alguém
A outra cobriu o rosto com a palma da mão

Ela dançou seu corpo em outras pernas
A outra se perdeu

Ela sorriu
A outra dormiu para sempre

Ela comprou flores
A outra gelou

Ela foi dizer adeus
A outra não se mexeu

Ela abraçou
A outra não sentiu

Ela fechou os olhos da outra
E a outra não abriu.


Julia Duarte.

7 comentários:

Isa Trivelato disse...

Nossa, que lindo e triste ao mesmo tempo...e fala de um modo simples e bonito, sobre algo que acontece nas nossas vidas e que é sempre tão doloroso né!Parabéns Julia...é lindoooooooo...adorei!

Compulsão Diária disse...

As flores são assim sazonais, temperamentos imprevisíveis. são as mulheres que isnpiram as flores? Ou é o avessso?

Bárbara disse...

best of.
ahhhhh...o amor. esse amor.

Betania Lisboa disse...

Adorei o blog.
Li e fiquei encantada com tanta sensibilidade.
As poesias são lindíssimas.
Vocês estão de parabéns pelo lindo trabalho.

"Blogar é construir pontes de amizade e conhecimento no espaço.
Você fez sua ponte hoje?"

Vamos construir pontes juntos?

Feliz dia do blogueiro.

Anônimo disse...

Belíssimo a dualidade, as floes delicadas como as multifacetadas mulheres...
um abraço
Cintia Thome

Flavio Machado disse...

Oi Julia companheira de dia de poesia, que as flores sejam e-ternas.

Adriana disse...

essas mulheres, duas em uma, duas em todas, umas fecham,outras acordam...ah, que lindo poema!