quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Por fora a lágrima enrijece!

...Olhares levedados com tristuras recém moídas pela pele do silêncio...

Levedados
com desvirginadas tristuras
recém moídas pela pele
do silêncio

nossos olhares se cozerão
como um febo que arde a fronte frescal
e essa queima é a singela coerção
dos nossos servilismos
às frouxas verdades

onde a proeza
de nos escondermos
(nós que nos falamos poetas)
atrás do véu tecido em brasa
desnuda-se em mil quereres
ante a ordenha das horas
contaminadas pelas fomes arroxeadas
que se deitam ao sereno
no morno colo
dos estômagos mirrados.

Faz frio e a madrugada dos bêbados
foge com o vento que uiva feroz
e a volúpia incurável da grandiloqüência
está em nós (tal o aplanamento das órbitas)
como os letárgicos murmúrios
estão para as papoulas emplumadas
e agonizam à mercê de narinas e ermidas
até que não caibam
em gargantas — insalubres.

Apesar das lonjuras de vagões
o altruísmo do fumo em pranto
já não é o mesmo néctar
e nem os algoritmos nus fumascentos
e nem os enrelvamentos crus dos outeiros
e nem a germinação dos coitos de arpões
evitam a covardia dos lerdos
tombos no cio.

De repente tudo escarra:

Um poema (recatado)
acolchoa limosas vaginas
e arremessa
nossas inconsciências corrugadas
para além
dos pulgões de quinas...

(Ai...!)

Somos em nós
os rojões de desinibidos glúteos
planando com os cânones
de embebedados testículos
e gabamos pêndulos
e fustigamos flamas
de frio corrimento...

Somos em nós
as hígidas penetrações e abalos alavancados
com as talhas de espinhos e quefazer...

Somos em nós
a fricção violenta do cadafalso
com o fulgor labiríntico
do pêco erotismo...

(Ai...!)

Por fora a lágrima enrijece!
Mas as nossas sombras
— quando depuradas dos clitóris voláteis
das amêndoas hospedeiras —,
seguem em nós
como os insurrectos desejos
que viajam da ponte para o sempre,
sob mofa ejaculação.

Fotografia: (Angel) gentilmente cedida por "Ana Mokarzel".

10 comentários:

fernando disse...

é muito!
é muito!

tens aqui
um admirador!

é muito bom!

poema grito.

Felipe da Costa Marques disse...

Ai Ai(suspiros)
Tem dor mas muito amor
Choro Felizpe!
Congratulações Mil!
Abraços !

Heyk Pimenta disse...

Caro,

é, quando eu vi o título, foto, quis foi ver um poema batido falando de pobreza besta, um grito besta de conclamando uma revolução torta.

Mas aí desvi e vi foi um poema mesmo. Poemão poemão. Quando a gente não tem adjetivo pra falar de um poema é só falar que é um poema poema e todo mundo já sabe.

Obrigado, caro.

E vi aqui sua foto, me lembrou o Mautner.

Obrigado, é isso tudo.

compulsão diária disse...

Benny,
lamento inspirado, imagens plenas de beleza e dor. Olhar de viajante na prórpia terra. Sob as mangueiras, sob as cerejeiras, sob plátanos...nossas sombras.
Eu conhecia esta beleza. Sempre bom ler mais uma vez.
De prima;)))

Olhos de Folha Minha disse...

A lágrima enrijece
como pedra amolada afiada
corta e o silêncio nem geme....
Sempre Benny...Um amor grande!
Poema que cala, seca gargantas...
Perfeito
OS HF

Cintia Thomé

Adriana disse...

Um poema bem construído que cala na garganta. Muito lindo.

Adriana disse...

nada mofo, todo inssurecto.Nasceu hoje?
Que venha!
http://anndixson.blogspot.com

Audemir Leuzinger disse...

sempre o mesmo turbilhao. impossivel ficar parado. fingir que nao existe. muito talento.

Vera Pinheiro disse...

Heiky Pimenta (aí acima) disse bem: "Quando a gente não tem adjetivos pra falar de um poema é só falar que é um poema poema e todo mundo já sabe". É um poema poema, e pronto! E todo mundo já sabe: Benny Franklin é poema!

Barone disse...

e essa queima é a singela coerção
dos nossos servilismos
às frouxas verdades