terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

ANA C. , "DESPE-TE DOS RUÍDOS"




ANA C. , "DESPE-TE DOS RUÍDOS"
por Cíntia Thomé

A estrutura inacabada
Talvez a verdade dos fatos
Não dos olhos, spots
Da construção oca
Do salto alto
Na contramão
No vácuo do um
Quase dois
tea for two
Escorre o assassino
Eu,
Vivo nas cabeças
de Madame Tussaud
Derreto solidões
Esculpo saudades
Roberto ainda geme
Nas curvas da Bahia
Tortas vias
Veias secas
Fingidas
Mãos com Luva
De Pelica?
O todo da vida
Não de mim
Dos que li
Nem conheci
Mentiras
No risco neon
Do tempo Blue
De mim?
Só a obra fantasma
Dos meus eus.
Despe-te dos ruídos
Quantos?
Dois? Tantos?
Ah! Esqueci.

Cintia Thomé

1984




Dedico a ANA CRISTINA CESAR, ANA C.

Quem foi a mulher Ana C. - Ana Cristina Cesar
Expoente da chamada poesia marginal dos anos 70, a poeta carioca Ana Cristina Cesar (1952-1983) tornou-se conhecida em escala nacional depois de figurar na Antologia 26 Poetas Hoje, organizada por Heloísa Buarque de Hollanda, em 1976.
Ana Cristina viveu mais de uma vez, viajou pelo mundo, estudou literatura e cinema, publicou poesia em edições independentes.
Escritora compulsiva produzia poemas, cartas, artigos para jornais e revistas, traduções, ensaios. Entre os principais títulos deixados por Ana C., encontram-se A Teus Pés, Inéditos e Dispersos, e Crítica e Tradução.
Ana C. suicidou-se em outubro de 1983, aos 31 anos.

Referências:
Poema "Casablanca" (Roberto Carlos a gemer nas curvas da Bahia... O cheiro inebriante dos cabelos na fila em frente no cinema...)
Poema "Despe-te dos Ruídos" (Tu queres sono: despe-te dos ruídos, e dos restos do dia...),
"Fama e Fortuna" (no Madame Tussaud o assassino esculpia as vítimas em cera...),
"Luvas de Pelica" (título do livro da autora)e algumas palavras que Ana Cristina usava em seus versos.
Acreditava que a poesia não traduzia os próprios sentimentos do poeta, mas sim do que leu, pois escrever de si já não era a verdade, era a soma.



Imagem: Ana Cristina Cesar, divulgação.

7 comentários:

fernando disse...

que bela
homenagem!

cíntia,
poetar os nossos incêndios
transforma
infesta!

belo belo esse elo
esse poema belo!

Audemir Leuzinger disse...

estes dias reli a teus pés. e agora este poema com referencias e novidades. muito bonito. fez bonito, cintia. parabens.

Adriana disse...

Ana Cristina Cesar merece sempre ser lembrada por sua obra e você soube fazer uma bela homenagem a ela. Seu poema traz marcas característicos dela e faz jus à poeta. Parabéns.

Compulsão Diária disse...

"A teus pés", reverencio vc pela justa homenagem, para elogiar Ana C.

Benny Franklin disse...

Flor, belo trabalho e um poema de fina estampa.
Belo!

Diario da Fafi disse...

Ai que lindo! Eu amo a Ana C. César. Bela homenagem.

Carinhos

Barone disse...

Bela homenagem, mesmo.