terça-feira, 4 de outubro de 2011

(O) DEVER ME CHAMA


há um dia por mês
em que devo escrever
um poema, é quando
o dever me chama

faço uma quadra
a ver se ela se quadra
com mais alguma

coisa que acontece
é o que chamei

ao que faço (o) poema!

9 comentários:

sidnei olivio disse...

O poema na metalíngua. Belo! Abraço, mestre!

Francisco Coimbra disse...

Sidnei,
Um prazer encontrar seu acolhimento!
A_braços!!

BAR DO BARDO disse...

Francisco Coimbra,

teu poema recorda-me um do Gregório de Matos:

Ao Conde de Ericeyra D. Luis de Meneses pedindo louvores ao poeta não lhe achando elle prestimo algum.

Um soneto começo em vosso gabo;
Contemos esta regra por primeira,
Já lá vão duas, e esta é a terceira,
Já este quartetinho está no cabo.

Na quinta torce agora a porca o rabo:
A sexta vá também desta maneira,
na sétima entro já com grã canseira,
E saio dos quartetos muito brabo.

Agora nos tercetos que direi?
Direi, que vós, Senhor, a mim me honrais,
Gabando-vos a vós, e eu fico um Rei.

Nesta vida um soneto já ditei,
Se desta agora escapo, nunca mais;
Louvado seja Deus, que o acabei.

Francisco Coimbra disse...

Caro Henrique,
Poemas a pedido são meio caminho para indispor contra quem faz o pedido, pois sugere ser a inspiração uma transação com a realidade feita a troco de influências, pedidos, desejos alheios. Na verdade, a apregoada liberdade, poética ou não, quase sempre se joga em sociedade. A lembrança faz sentido, encontra e mostra a presença da influência de algo que cria a obrigação. Obrigação agradável agradecer um comentário, a interação da presença do leitor. Meu obrigado!

Benny Franklin disse...

Caro poeta:
imagino [cá em mim] a vastidão de sua verve.
Boa!

L. Rafael Nolli disse...

Francisco, esse é o dever! Você vem, mensalmente, cumprindo-o aqui, enriquecendo esse espaço.

rogerio santos disse...

Gosto demais dos teus escritos, caro Francisco ! Abraços, Rogerio

Francisco Coimbra disse...

Benny, Nolli, Rogério,
Grato pela V. presença, a_braços!!

Anônimo disse...

Caros,
o que o poeta quis dizer nos versos "Direi, que vós, Senhor, a mim me honrais. Gabando-vos a vós, e eu fico um Rei".