sexta-feira, 9 de setembro de 2011

subterrâneos

beagá
a bruno bandido


os subterrâneos revelam outra cidade
ratos e gente disputam o mesmo espaço
as águas são podres e fedem debaixo do asfalto
carros passam em cima
pessoas vão ao cinema e ao teatro
não olham para baixo
mastigam chicletes e as roupas são de boutique
discutem beckett e o prêmio nobel de literatura
enquanto outros procuram o nosso lar que nunca está aqui
mas em um céu imaginário e monótono
cospem seus pecados e medos
os seres debaixo do asfalto podem atacar
suas sombras assustam
a fumaça é de crack e de dor
os prédios são altos e inatingíveis
há uma cidade que grita apesar do pôr-do-sol
há uma cidade que dorme apesar dos subterrâneos que nunca dormem

6 comentários:

Ana Ribeiro disse...

Que constatação mais lúcida... e triste.

Tomaz disse...

Show !! O caos é sempre um show... E se eu fosse da fauna do subterrâneo já estaria preocupado, afinal, não é só a raça humana que vai se autodestruir, vai levar todo o resto ;)

BAR DO BARDO disse...

a cronista de bh

bh é mundo

bruno bandido disse...

é uma honra, adriana. tu sabe.

Luciano Fraga disse...

Adriana, só a poesia olha para todos os lados! Belo, sensibilísssimo, beijo.

MIRZE disse...

LINDO, DRI!

Eu diria que poetas como você olham o mundo de forma mais humana.

AMEI!

Beijos

Mirze