quarta-feira, 8 de junho de 2011

Perseguição

Ando fazendo versos como um condenado
que foge pela floresta as vésperas do cadafalso.

Ando fazendo versos enlameados,
arranhados das quedas desesperadas por chegar.

E chegam esbaforidos, descompassados
pra descobrir, no fim de tudo
que serão expostos
e postos,
inúteis, numa espécie de altar.

Quem sabe assim esgote o poço
onde me alimento de mim,
e então me sobre um pouco.

Vou talvez roer as patas,
escapar da armadilha, transbordar o copo

pra que me deixem de vez em paz
as Musas e os poetas mortos.

*Catopeblas é um animal que se alimenta dele mesmo.
Borges o descreve em seu livro" Livro dos Seres Imaginários"
Lhosa compara o escritor ao Catopeblas.

(poema de 23/07/09, agora com vídeo da Casa das Rosas)



(antes porém, declamo o poema Alegoria, já postado em meu blog)

4 comentários:

sidnei olivio disse...

Brilhante!!!, Flá, aliás, fantástico! Beijos.

L. Rafael Nolli disse...

Estou com o Sidnei.
Brilhante!

Joe_Brazuca disse...

Flá !

eis a poesia na sua melhor forma : outofágica !

execelente !

abs

Flávio Machado disse...

Muito bom Flávia. Beijos.