sábado, 11 de junho de 2011

Canção peregrina (*)

 Imagem extraída do Google

I
Eu canto a dor
desde o exílio
tecendonum colar
muitas histórias
e diferentes etnias

II
Em cada parto
e canção de partida,
à Mãe Terra peço refúgio
ao Irmão Sol, mais energia
e à Irmã Lua peço licença poética
 para esquentar tambores
e tecer um colar
de muitas histórias
e diferentes etnias.

III
As pedras do meu colar
são história e memória
são fluxos de espírito
de montanhas e riachos
de lagos e cordilheiras
de irmãos e irmãs
nos desertos da cidade
ou no seio da floresta.

IV
São as contas do meu colar
e as cores dos meus guias:
amarela
vermelho
branco
negro
de Norte a Sul
de Leste a Oeste
de Ameríndia ou de LatinoAmérica
povos excluídos.

V
Eu tenho um colar
de muitas histórias
e diferentes etnias.
Se não me reconhecem, paciência.
haveremos de continuar gritando
a angústia acumulada
há mais de 500 anos.

VI
E se nos largarem ao vento?
Eu não temerei,
não temeremos,
pois Antes do exílio
nosso irmão Vento
conduz nossas asas
ao círculo sagrado
onde o amálgama do saber
de velhos e crianças
faz eco nos sonhos
dos excluídos.

VII
Eu tenho um colar
de muitas histórias
e diferentes etnias.

(*) Graça Graúna. Canção peregrina. In: Antologia indígena. Mato Grosso: SEC; Inbrapi, Nearin, 2009, p. 27-28

4 comentários:

João Luis Calliari Poesias disse...

Graça, grato pela aula sobre as pedras do seu colar.

Graça Graúna disse...

João Calliari - grata pela leitura das pedras do meu poema. Seja sempre bem-vindo. Bjos, Grauna

Joe_Brazuca disse...

só uma alma de Graúna, faria tal maravilha !

antológico, querida !

bjs

Graça Graúna disse...

Meu querido Joe Brazuca: que alegria contar com a sua atenção, seu carinho. Grata pela leitura. Saudades e abraços mil, Grauna