quinta-feira, 7 de abril de 2011

French smoking




in subversify

















French smoking


Viajas para longe. Para onde?
Viajas para além do litoral.
Sou cega pela luz que em ti se esconde,
desejo que se acende ao ideal,

tateio nitidezes no Le Monde,
que estás na cintilante capital:
tu vais ao boulevard sentada ao bonde,
fumando o teu gitanes, afinal

tranquila, tranquilinha.... Tornozelos
à mostra,de lolita no minete,
até que me devolva a condição

de verme, da que vive por seus zelos
de má, suas mazelas de coquette,
o dorso na vergasta, danação.



*** Mais uma explicação desnecessária: a produção de sentido(s) exigiu-nos o abrupto escambo pronominal.

32 comentários:

João Luis Calliari Poesias disse...

Sublime encontro carnmental, porém, antes as viagens...belo!

Henrique Pimenta disse...

Calliari,

agradeço o comentário. Depois dele, senti que a serpente fuma - e é fêmea.
Abraço!

Adriana Godoy disse...

"até que me devolva a condição

de verme, da que vive por seus zelos"

Ai! Pimenta, que danação!

Beijo

sidnei olivio disse...

Henrique, fantástico! Não tenho formação literária nenhuma, sequer algum tino para comentar poemas dessa magnitude. Apenas leio, releio, aprendo e me deleito. Abração.

Mayara disse...

Pimenta no capricho!
Adorei!

Raíz disse...

Mestre!

Un sonette pour une belle femme!

Maravilhoso. Tudo faz sentido. Me senti fumando, mas tirei a cobra.

Beijos

Mirze

samuca santos disse...

henrique, é tão belo que não resisti e postei/compartilhei o linque no facebook: http://www.facebook.com/samucafsantos

BAR DO BARDO disse...

Adriana,

é o desatino para coisas assim.
Felicidades!

BAR DO BARDO disse...

Sidnei,

agradeço pela gentileza. Mas eu creio que um poeta é seus leitores. E é a leitura que dá o tom do poema.
Um abraço!

Henrique Pimenta disse...

Mayara,

valeu!
Felicidades!

Henrique Pimenta disse...

Mirze,

um beijo!

Henrique Pimenta disse...

Samuca,

agradecemos pelas palavras e pela divulgação.
Um abraço!

Francisco Coimbra disse...

Todas as funções da linguagem dão neste poema a língua trabalhada, transcende a língua para falar da arte, mostrando-a bordada em relevo, dominando a textura dos versos, para fazer do poema uma peça de elevado contraste onde o fundo e a forma se transformam no conteúdo contido no continente. Interessante é saber como se liberta esse conteúdo, a fruição da poesia do poema. Do labor conceptual da concepção há uma acepção onde se concebe a ideia de conceito, é essa que é dada sem forma gratuita, mas de forma gratuita a toda a fruição.
Neste tipo de peças, onde a facilidade foi esconjurada, a impressão digital continuará a ser a marca de cada dedada deixada pelo autor, tentando impor a sua autoridade sobre o objecto criado. A criação não vem ao mundo como criança, já é dança e ritmo para uma coreografia estilizada: a personagem vem e vive, fica representada. Não escapa de ser o que é, um produto cultural.
O título a inglês, a personagem francesa, o autor brasileiro: é o cosmopolitismo! Aqui os vícios nunca andam longe «de má, suas mazelas de coquette,/o dorso na vergasta, danação.»
O meu paleógrafo só teve lugar depois de ler a leitura do Assim, assim:

«tu vais ao boulevard sentada ao bonde,
fumando o teu gitanes», Henrique Pimenta
no poema “French smoking”

BORDADO

a palavra, submetida ao espartilho
da regra que a rege e a enquadra
forma um quadro de tela em linho
onde um bordado fica, na quadra
Assim

Rúbida Rosa disse...

Isso tudo é medo de sentir saudade?
beijo!!!

BAR DO BARDO disse...

Caro Coimbra,

a máquina de espéculos barroquistas apresentada em teu comentário, sinto, humaniza-nos a todos os que maculam, macularam, macularão a palavra em branco.
Agradeço pela humanização da máquina, ó pá.
O misto de monólogo & tergiversação do meu texto só pode ser compreendido (e sentido) por meio da alteridade dialogal.
Um abraço!

BAR DO BARDO disse...

Rúbida,

acho que é a saudade arrancada ao peito de modo insano, acho que é... amor.
Felicidades!

Francisco Coimbra disse...

Caro Henrique,
Todo o poema, por menor seja, o tamanho nunca é pormenor despiciendo, é um texto. Descubro ter lido o teu texto, por mim entendido como um poema com construção, dum modo onde não te reconheces? Não seria esse facto uma novidade, perante a multiplicidade de leituras possíveis dum texto. Interessante talvez fosse pensar, melhor ainda sentir, qual das leituras seria mais interessante para o próprio texto. Entendendo essa proximidade, a maior, a mais próxima, aquela que fosse capaz de dar sentido (ao sentido) na leitura. Ora, lendo o poema, não encontro «alteridade dialogal». Essa existe quando há um diálogo entre um outro e o mesmo, entre outro e outro. O que encontro é uma rica apresentação duma personagem feminina, feita de forma capaz de lhe dar riqueza, sem a expor a uma descrição, transformando-a numa vivência. Vivi-a dessa forma, e gostei.
Uma coisa é certa, a troca de impressões, opiniões e outras “imprecisões”, sendo da minha parte tudo menos uma prática de avaliação crítica, mesmo quando a contém, é um bom entretenimento, enriquecedor de ulteriores leituras. Boa noite, à hora que escrevo depois de ver três equipas portuguesas terem bons desempenhos, estando entre as oito finalistas da Taça UEFA. Abraço.

Cássio Amaral disse...

Muito bom!!!!

Construção e conteúdo demais.

Construção apolínea e conteúdo dionísiaco, como tem que ser.

Abração.

escotilha disse...

henrique,


belíssima construção,

(com instruções de uso!)

um beijo, professor!

Henrique Pimenta disse...

Caro Francisco Coimbra,

respeito os seus comentários. Sempre os respeitei. Penso nesses de ora.
Gosto de você.
Desejo mais e mais sorte com as equipas lusíadas. Aqui sou Vasco da Gama, time do coração, timão.
Um abraço!

Henrique Pimenta disse...

Cássio,

você é que é um iluminado.
Curvo-me, pois.

Henrique Pimenta disse...

"escotilha",

daí tens uma excelente vista.
felicidades!

Benny Franklin disse...

Como sempre rebuscado!
Boa, Bardo!

Domingos da Mota disse...

Bom este sabor a "Poivre".

Sam disse...

Quanta sofisticação.

Meu carinho.

Francisco Coimbra disse...

Caro Henrique, o respeito é sempre um dos melhores sentimentos, principalmente quando não é o respeito respeitoso estabelecendo uma espécie de barreira. Não sendo de todo o caso, feliz fico e também o alimento.
Vou aproveitar para clarificar a perspectiva de meu contraditório sobre a «alteridade dialogal» que mencionas, para mim vejo-a como sendo a do autor com a sua personagem. No caso, a personagem autora, de si mesma. Daí dizer não ver a dita cuja «alteridade dialogal» no teu poema, pondo a tónica na construção da personagem, a qual me agradou como já pude escrever. Quanto ao foco, para ti e quem leia esta minha opinião, sugiro imaginem um pseudónimo feminino a assinar o poema. Seria só um requinte, nada acrescentaria ao que o poema é mas daria para questionar a designação que escolheste.
Cá fica mais um apontamento que nos leva, te leva, a já ter merecido um quarteirão de comentários! Só posso e devo dar os parabéns, a ti e todos.
Bom fim-de-semana, que teu time, por cá seria equipe, te dê muitas alegrias. Minha equipe é a Académica de Coimbra, minha cidade Natal. Geralmente joga para se manter na primeira divisão, o que este ano parece já ter garantido. Meu abraço

BAR DO BARDO disse...

Benny,
grato pela vinda!
Abraço!

BAR DO BARDO disse...

Domingos,

desejo muito publicar as sacanagens do Poivre.
Torça-me, por favor!
Abraço!

BAR DO BARDO disse...

Sam,

agradeço o comentário.
Felicidades!

BAR DO BARDO disse...

Coimbra,

a parada é a seguinte, não consigo me debruçar criticamente sobre meus textos. Mas acredito ter entendido o seu ponto de vista...

O diálogo que (eu) pretendia era de sujeito lírico com leitor. A alteridade pretendida era do tipo "insight" no colo do cérebro do leitor. Resumindo: o leitor ideal idealizaria a leitura conforme o meu programa autoral.

O sujeito lírico, enfim, é, provavelmente, uma mulher que devaneia acerca de sua amada parceira - aquela com toques de masoquismo. As lacunas deixadas por um texto tão conciso são preenchidas pelo tal "insight".

Lisonja já no seu primeiro comentário senti, porque sabemos o quão difícil leitores (bons leitores!) para a poesia.
E como dissera a outro camarada acima, minha poesia só se completa com a leitura alheia. O alheio é quem se apropria da literatura e a faz de boa ou má qualidade. O leitor é autor, ou no mínimo co-autor do (meu/nosso) discurso poético.

Até aqui, bons leitores - es usted uno! - me indicam que a literatura que sai da minha pena ainda pode continuar no seu plano de voo original, permitindo-se a uns desvios de vez em quando.

O mais importante, entanto, é que o meu Vascão é a melhor equipa do mundo!!!

Abraço!

Francisco Coimbra disse...

Olá Henrique,
Sobre a lisonja podendo, sobre o liso, passo esponja. Lisonja é ação que não me agrada enquanto adjectivo, mas perfeita para ser feita pela mão sobre o papel quando queremos manuscrever a nossa melhor sensação nos sentidos. Acredito que quem pratica a escrita já descobriu que ela é, ou pode ser, lisonjeira. Mesmo quando vem e passa, ligeira que seja.
Deixa-me fazer sugestão de criares um marcador com o teu nome, deste modo se poderá ler duma só vez as obras que vais oferecendo. Quanto aos teus comentários, só descendo… ao rodapé dos textos, onde acabo de ler este mimo: «Uma viagem. Para o a(l)to.» que só pode agradar a quem encontrar «o ato».
Quanto ao nosso clube (equipa ou time) ser o melhor do mundo, faz sentido. Embora nem sempre ter um clube torna o mundo melhor, sendo certo que a Fé clubista em nada é inferior a qualquer outra, motivo suficiente para se poder temer os fundamentalistas. Como acontece em todas as crenças que geram crentes, eu respeito e até admiro o afã com que nos tornamos fãs.
Claro que a Académica também é o melhor clube do mundo, deve ser o clube que criou mais licenciados!
Ela está associada a uma tradição, os jogadores eram (Passado) obrigados a estar matriculados na Universidade. Todas as tradições vão morrendo, quando já não houver tradições para morrer estaremos mortos. Fado, Futebol e Fátima, vão salvando esta pátria cheia de párias (ó rima danada)!...
Esquecendo a rima, outro rumo - abraço transatlântico!!

Henrique Pimenta disse...

Obrigado, Coimbra!
Felicidades brasilianas!