sexta-feira, 8 de outubro de 2010


A solidão não me era companheira.
Aproximava-se sorrateira enquanto eu
mistuava-me aos livros, aos filmes,
às canções e ao sono, como quem
aguardava uma manhã menos nublada
para levantar-se e caminhar pela rua.

Ignorava eu uma solidão muito mais
funda que nem a maior alegria detém
porque independe de fatos externos.
Uma solidão que se alimenta de si,
Sem fome, sem sede e com fadiga do mundo.


imagem Edward Hooper

9 comentários:

Albuq disse...

Lindo verso... a solidão inspira nas suas atuações em nossas vidas.

Marcantonio disse...

A solidão crônica, já naturalizada?

Só há um símile para esse Hooper, me parece: o interior do café de Van Gogh.

Renata de Aragão Lopes disse...

Débora,
que texto maravilhoso!

A maturidade
seria a grande responsável
por essa descoberta?

Uma solidão
"sem fome,
sem sede
e com fadiga do mundo".

[fadiga do mundo]

Beijo,
Doce de Lira

Débora Tavares disse...

acredito que sim, Renata.
obrigada!
beijos
Débora

Tenório disse...

Belíssimo texto! É prosa ou ou é poema? Talvez seja um pouco mais.

Francisco Coimbra disse...

O poeta (a poetisa) bisa usando o bisel, talha e entalha cada palavra, mas deixando-as fluir dá-as a ler, trabalhando a voz nesse gesto de escrever aqui com a espessura dum pensamento que não solta ideias, conduz o sangue num sentir (de ideias) deixando-as cor_rer... do ser. Gostei. Bjs

Francisco Coimbra disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Francisco Coimbra disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Débora Tavares disse...

Que bom que o poema lhes chegou ao coração. Obrigada pelas palavras.

beijos,

Débora Tavares
www.debfernandestavares.blogspot.com