quinta-feira, 5 de agosto de 2010

NO À TOA EM BELÉM

Fotografia by Sidclay Dias

Para JJ Paes Loureiro




Amargas faces bocas não beijam.

II 

Prenhe
no além-mundo da poesia que plana
contenho a rima pura de um só olhar
que cerceia a infertilidade da orquídea
e a branqueza estúpida dos bordéis.
À noite, 
no antagonismo entre sentinela e estrela,
alfabetizo mãos inúteis da ressaca 
de viver.

III 

O dia? Arquiteta 
o jirau metafísico
− e goza.

IV 

Saídos de escoras,
putos notívagos dos bulevares sem ossos
coexistem apaixonados;
voejam pelas impotências das clausuras.



Enlaçados aos dogmas dos olhares
alguns puteiros com feitios de bibelôs de alpendre

e outros 

como bucólicos ladrilhos
de idosas alucinações
masturbam fragmentos indóceis
e redesenham os mênstruos das poeticidades malditas;
fazem o pávulo sangue
endeusar finas genitálias de lágrimas insolúveis
na pretensão de ser 

gente.

VI 

Sob a frondosa sumaumeira de escápulas,
acomodo meu tesão 
e aprecio o cigarro apagado,

mínguo 

na relva que congemina
um astuto plano de fuga
e barbarizo insaciavelmente
a ejaculação que expectora.

VII 

Pulsado 
pela admirável certeza
de compreender 

o céu,

bebo palavras
como um pateta 
quase poeta

bebe escoras
incluso 

no à toa 
em 

Belém.


By Benny Franklin
Twitter: BennycFranklin

8 comentários:

TON disse...

Belo, Benny! Maldito, sujo, intenso, belo e verdadeiro.

Esse pessoal aqui está se especializando em poemas-clipes!!!!!!!

Audemir Leuzinger disse...

benny,
não posso dizer que é a belém que conheci. morei aí entre os 6 e os 9 anos de idade. estudei no colégio moderno. morei na benjamin constant esquina com av nazaré. o poema é lindo. e esta é sua belém, a cidade que o poeta vê. e quem sou eu pra discutir com o poeta?
abs

Benny Franklin disse...

Belém não é minha... Belém é de ninguém...

Existe "á toa" em qualquer parte.

Estou no à toa de Belém (o à toa é meu e não de Belém)
- que poderia ser em Sampa ou em qualquer lugar.

Às vezes, poema é lãmina.

Obrigado, Audemir.

Albuq disse...

Benny, muito lindo teu poema!
bjs

Francisco Coimbra disse...

Belém do Pará, música no rio a bordo de barco, pôr-de-sol. O sossego numa sombra, corpo quente de Sol, lendo um poema em fragmentos, momentos para visitar a beleza como ela é... na multiplicidade das formas, no inacabado da Hora, a cada momento! Abraço.

L. Rafael Nolli disse...

Esse é lâmina - e está afiada.

Sidclay Dias disse...

Suas poesias são o vinho que necessitamos para nos embriagar de coisas maravilhosas.

Cíntia Thomé, Jornalista, Poeta . disse...

bebemos escoras...a sangue...
Bparbaro como toda palavra de orquídea selvagem da alma...

belisssssimoooooo bjus