sábado, 14 de agosto de 2010

Canibalismo Suicida

A decadência quer o sumo!
Não contente com a fruta
Em suas entranhas impuras...
Sou só mais um filho da puta!

No café abro meu bucho
Tripas dissecadas na incerteza
Para o almoço, o coração!
Veias e artérias sobremesa

Lanche da tarde com os olhos
pois não merecem ver a lua
Um gole de sangue coagulado
atenua o sabor da carne crua

Nariz, pulmão, fígado e alma
De noite o cardápio é nota dez
Sinfonia de hematomas invisíveis
A morte é suave como um jazz

3 comentários:

Lírica disse...

A morte não satisfaz a vida. Ela ( a vida) continua a consumir a outrem, mesmo que nós tenhamos cessado de sofrê-la. A morte é um atalho, um improviso, uma dissonância, uma brincadeira pra destacar-nos do conjunto que "toca" a vida nem sempre suave... como um jazz.

Tomaz disse...

Lírica, muito interessante teu ponto de vista... Pois vem de um universo diferente ao que o autor do poema vive, com certeza com experiências jamais vividas pelo autor, e isso que torna a interação valiosa, essa de intersecção de idéias vindas de pontos diferentes no espaço...

Eu acredito que a morte nada mais é do que o avesso da vida, pois a cada fração de segundo da vida que passa, nós estamos nos aproximando da morte. Eu acho isso encantador, uma é inevitavelmente ligada à outra como a lua e o sol... Dado o fato de apesar de existir ciência, religião e tudo mais, o ser humano ainda não conseguiu explicar o que acontece com sua existência após o corpo parar de funcionar, gerando assim uma busca diversificada pela fuga da realidade...

E isso pode ser na música, na poesia, nas drogas, no álcool, no tricô, ponto cruz, baralho, trabalho, sexo, sinuca e etc...

Forte abraço, Lírica, volte sempre ;)

Kiro Menezes disse...

O macabro do que escreves causa asco e admiração! Fico encantada, é demais!