domingo, 18 de abril de 2010

Outono

(Para Renata Stuart)


Quando dei por mim
já era outono
e a noite sem sono
denunciava
o que estava por vir.
As folhas secas
que vi na manhã
traziam... além do afã
de te ver de novo,
o medo do lago da vida
e de olhar no espelho
e te ver em mim refletida.
Em cada manhã repetida
aparei cada aresta
e a espera da outra festa
colecionei desejos.
Mas tuas mãos em outras
que não as minhas,
foram brisa leve
em minhas linhas...
que adormeceram...
enfim.
Quando teu sorriso
outra vez passar por mim,
quem sabe a minha poesia
não rascunhe um outro fim?

(Do livro "Murmurando Ventos" de Anderson Julio Lobone - 2007)

4 comentários:

Bєzєяяɑ Guimɑŗãeร disse...

Muito lindo.

Renata de Aragão Lopes disse...

"Quando teu sorriso
outra vez passar por mim,
quem sabe a minha poesia
não rascunhe um outro fim?"

Adorei!

Beijo,
doce de lira

Barone disse...

Gostei.

Lírica disse...

O medo... é o grande protagonista! Enquanto isso, a vida passa e outros fins vão-se escrevendo sem rascunho, mesmo! A arte dá um jeito de desnudar a alma numa 'catarse outonal'. Talvez outras almas venham se amalgamar em torno, aliviando a perda das folhas caídas.