sexta-feira, 9 de abril de 2010

atrasados

aquarela/ rafael godoy

estamos atrasados, meu amor
o rio já correu
o sol já se foi
e o dia ainda não foi embora

perdemos a noite escura
mais negra que os olhos do diabo
perdemos a hora de dançar com as árvores
com seus galhos como as mãos da morte

o vento está morno e fraco
as flores não têm cheiro
perdemos o trem
que atravessa a cidade
não vamos a lugar nenhum
o tempo já passou

ficamos aqui de mãos dadas
como duas crianças perdidas
as ruas são longas
e estreitas as esquinas

estamos atrasados, meu amor
o mundo esmaga os nossos sonhos
lentamente, lentamente...

19 comentários:

Lara Amaral disse...

Juntos, e com a sensação de que tanto já se foi.

Bonito poema, Dri.

Beijo.

Barone disse...

"o mundo esmaga os nossos sonhos
lentamente, lentamente..."

L. Rafael Nolli disse...

Muito bom Adriana! Há um contraste interessante entre a imagem e o texto.

não vamos a lugar nenhum
as flores não tem cheiro
o mundo esmaga os nosso sonhos

Mirse Maria disse...

Maravilhoso, DRI!

O mundo esmaga mesmo nossos sonhos.

"Perdemos a noite mais negra que os olhos do diabo"

Metafórico e rico em construção e imagem poética e Rafaélica!

Parabéns!

Beijos

Mirse

Márcia Maia disse...

ficamos aqui de mãos dadas
como duas crianças perdidas
as ruas são longas
e estreitas as esquinas


belo, Adriana.

Hercília Fernandes disse...

Godoy,

adoro este poema. Muito bom relê-lo!
Sim, estamos [sempre] atrasados...

Beijos,
H.F.

Diario da Fafi disse...

De tão verdade, chega a doer.
Bonito demais, Adriana.

Carinhos

Cíntia Thomé, Jornalista, Poeta . disse...

Adriana


Estou com o olho d'água...de tão aberto amor e companheirismo e de vontade de ser 'somos'...
Tocou as entranhas...
Bárbaro!!!!

Assis de Mello disse...

Lindo poema, Dri.
Suas ruas longas e suas esquinas estreitas fizeram-me lembrar as pinturas de Maurice Utrillo (que eu adoro).
Beijuuu

Luciano Fraga disse...

E o mundo esmaga mesmo,Adriana sempre fabulosa, abraço.

Úrsula Avner disse...

Oi Adriana,

Acho que já tinha lido esse poema. Gostei muito, bonitas imagens poéticas. Bj.

Ana disse...

Olá Adriana,

Esse seu poema me fez lembrar de coisas boas.
É...de vez em quando
atrasar,não faz mal,antes tarde doque cedo não é mesmo?
abçs

Ana Lago

Renata de Aragão Lopes disse...

Imediatamente,
cantarolei:

"é pena
que você pense
que eu sou escravo/

dizendo
que eu sou seu marido
e não posso partir/

como as pedras
imóveis na praia
eu fico ao seu lado/

sem saber/

dos amores
que a vida me trouxe
e eu não pude viver"

Há algum sentido? : )

Beijo,
doce de lira

Victor Meira disse...

Melancólico, Dri. É a gula insaciável de Cronos.

E como sempre: gosto demais dos desenhos do Rafa.

Rafa disse...

Oi, gente, obrigadíssima pela leitura e comentários tão especiais.

Estou sem tempo, só passe aqui mesmo pra agradecer. Beijos.

Benny Franklin disse...

De prima! bjs.

Adriana Godoy disse...

Onde se lê Rafa, leia-se Adriana.

Anita Mendes disse...

Perfeito! Drika, queria ter escrito esse poema... o que tenho a dizer? lindo! beijos Anita

Carlota Joaquina disse...

Cunhadão: uma palavra: saudosismo?