quarta-feira, 3 de março de 2010

duas torres (lendo tarô e ouvindo nick cave)

construí uma torre para o amor morar
você chamou o alquímico segundo sol
transformou a lua em quatro
e construiu uma torre idêntica no seu reino
para onde o amor fugisse em tempos sombrios

quando as sombras nasceram
já eram ignorantes do caminho do poente
queimamos a ponte entre nossos reinos
porta solta do umbral no limiar da casa

o fogo atinge o rio
e a torre do meu reino
uma vez duas vezes rapunzel morreu
sua torre também em cinzas

nossos nomes já não são palavras
terão exatamente o ruído de um rosto virando
borboletas no estômago
futuros amores nem terão ciúmes
dos símbolos que nos tornamos

partimos para Tróia
por estradas diversas
pensando em aprender a confiar nas pessoas.

6 comentários:

Adriana Godoy disse...

Gostei do poema, do simbólico e da referência ao Nick Cave. Bj

Barone disse...

"nossos nomes já não são palavras
terão exatamente o ruído de um rosto virando
borboletas no estômago"

TON disse...

Criativa descrição da causa e do fim, já apontando para um futuro novo começo. Inspirado poema.

Gostei.

Ton

Renata de Aragão Lopes disse...

O Enforcado
O Sol
A Lua
Os Enamorados

Bacana!

Um beijo,
A Sacerdotisa*

* minha mais recente postagem
aqui no Poema Dia

Renata de Aragão Lopes disse...

Ops: não o postei aqui.
Está publicado no doce de lira!

lrafaelnolli disse...

Audemir, excelente o poema, repleto de simbologia. Gostei!