quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Os quatro temas trans-Faustianos

I

Roíam as engrenagens da embarcação
sem saber-se enquanto ratos
poderiam aniquilá - la

Jovens
desconheciam o poder dilacerante das cordas do tempo

II

Amanhecia ele sentava no meio fio
Substância inebriante em suas mãos permitia o sonho
Já sangrado dos encontros
dor não mais o afligia
Era sempre um sorriso enigmático

III

Amantes ansiavam pela fusão
Uno alentador
De antemão
traziam a impossibilidade de sua plenitude

IV

Os soldados varriam o sangue
de qualquer nacionalidade
O liquido denso formava um rio
Todos já eram outro

7 comentários:

Joe_Brazuca disse...

Profundo e enigmático

visualisei como "flashs"

assim, eu gostei !

agora eu um, ja sou outro...com fauto, mas sem o cérbero...

Joe_Brazuca disse...

Fausto,errei...

sidnei olívio disse...

Antológico, Sérgio.

Adriana Godoy disse...

surpreendentemente belo. beijo.

sagamundo disse...

'O liquido denso formava um rio
Todos já eram outro': bela imagem. Vigoroso, poema fundamental.

Sergio Kroeff Canarim disse...

Meus caros, realmente como diz sagamundo poema fundamental no sentido que enxuguei ao máximo as palavras mantendo apenas as mais fundamentais. Assim como um bisturi um corte preciso e profundo.
Emocionantes os comentários de vocês.
Grande abraço

L. Rafael Nolli disse...

É, Sérgio, esse poema é muito bom! Gostei.