quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Navegante


navego em falso objeto
de desejo e de prazeres
sob luas que minguam
e escapam entre os dedos

navego em falso segredo
de pele que arde e treme
em loucuras de seios leves
em breve resvalar nos lábios

navego em falso devaneio
de mãos que tocam coxas
buscando a mais intensa
delícia que a vida rege

navego em falso sonho
de corpos que se enlaçam
num laço de gozo e asco
ao timbre d’amor sedento

5 comentários:

Victor Meira disse...

E o que é coisa qual devaneio-falso, ou sonho-falso? Como se navega sob luas de tantas falsidades? A navegação é valsa? Navego-em-falso, um passo-em-falso, quase um ato-falho.

Todo devaneio é real e verdadeiro. Disso, a antítese do devaneio talvez seja a ação, a execução.

Minha imagem preferida da poesia?
Seios leves.

Victor Meira disse...

Olha só, escrevi "valsa" sem querer. Ato falho. Naveguei em falso.

Ficou bonito, né? Neil Gaiman disse uma vez que um amigo escritor o disse que alguns erros datilográficos devem ser mantidos.

Que minha valsa não seja falsa.

Anônimo disse...

E o que há de mais verdadeiro do que tais falsidades?
Gostei da valsa do Victor. Quem é poeta o é, mesmo sem pretender.
Mas voltando ao poema... Essa denúncia condescendente, de cúmplice, certamente está entre o "sem tempo" do desejo e a efemeridade do real...

Lírica.

Joe_Brazuca disse...

sonhei junto !

belas falsidades...

E, pegando o "erro" do Victor Meira...

Valsei !

bom !

Nelson Agadé ... disse...

bonito poema, muito bom.

cumprimentos!!!