sábado, 17 de outubro de 2009

tocata


sob os lençóis azuis
a nudez do corpo expande
a solidão da casa

um cheiro de cio
se desprende das paredes
o silêncio geme

o espelho desfia
kama-sutras em imagens
de amores antigos

o corpo ainda nu e
adormecido num tremor sutil
se contrai e umedece

e então de súbito amanhece


Márcia Maia

8 comentários:

L. Rafael Nolli disse...

Um belo poema, sensual, bem resolvido, bem desenvolvido - e o arremate final é demais! Bom de se ler e de se reler.

tenório disse...

Estou com o Nolli. Independente do mote, do teor, o jeito de você juntar as palavras já exala o que o sentido só confirma.

Assis de Mello disse...

Excelente poema, Márcia !! Muito mais que uma polução ao romper da aurora.

Heyk Pimenta disse...

engraçado, márcia.

o poema é bom, inteligente, com imagem potentes, potência de ser sutil é coisa rara e isso rolou por aqui.

agora, fiquei um tanto triste, porque o poema acaba à toa, nem sei se essa pausa no tempo é ruim, talvez não, mas ele acaba gratuito e as rimas últimas não estão à altura do quão bom o poema é no corpo e olha:

"sob os lençóis azuis
a nudez do corpo expande
a solidão da casa"

isso eu gostaria de ter escrito.

até.

L. Rafael Nolli disse...

De minha parte acho o final desse poema impecável, não consigo imaginá-lo de outra forma ou passivo de qualquer alteração. Sinto uma linha de tempo se desenvolvendo por todo o poema e esse deselvolvimento culmina muito bem no amanhecer súbito. Redondinho.

Felipe da Costa Marques disse...

Sex Blue Poem

Abs e Bjs

Anônimo disse...

Lindo! Sublime!

Adélia Rocha disse...

Lindo! Sublime!