terça-feira, 27 de outubro de 2009

O Grito


Matisse


OS Gritos

Ai, dessas horas frias em que choro em meu próprio ombro:
Dores que nunca me pertenceram...
Dessas horas mudas, em que me agasalho em poesias
De Cora... De Barros e Adélia.
Que vontade de fazer requeijão e comer com doce de umbu.
De desistir dessas coisas de ser gente grande.
Perdão senhor por todos os meus escândalos.
Fui feita demasiada humana e quando dói: grito.
Gemer, pai, só de prazer.
Meus gritos acordaram o hospital.
As velhinhas mais decentes.
Não era tão tarde.
Meus gritos acordaram o artista que não dormia.
Despertou-o de ego inflado.
Meus gritos ecoaram palavras obscenas pela Avenida da Princesa.
Acordaram as belas adormecidas.
Só as bruxas e as santas os entenderam.
Eram gritos de quem se calou demais.

Alyne Costa
27/10/09

6 comentários:

Rosângela Cunha disse...

O meu grito até hoje
é o grito de quem nunca
se calou...
Mesmo sem ter
quem me dê ouvidos,
ainda grito...
Grito alto
o grito dos aflitos,
dos atingidos,
dos excluidos.
grito de dor...
E ninguém para ouvir
o meu clamor!

Mai disse...

Então citarei Milton e Chico...
"... há que se cuidar do broto prá que a vida nos dê flor e frutos.." e "não ficar na janela prá ver a banda passar" mas, e "tocar um instrumento e cantar...junto com a banda" Ainda bem que deste e ouviste gritos e, neste poema, nós também ouvimos e nos vimos.
Então é sair da janela, né?
Belo texto, Alyne.

Abraços e boa semana.

Felipe da Costa Marques disse...

"Meus gritos acordaram o artista que não dormia."

Gritou belamente o poema

bonito demais!

, bjs e abs

Joe_Brazuca disse...

de repente...poesia serve pra isso tambem !

excelente !

bj

Diario da Fafi disse...

Menina! gostei disso demais.
Me vi em muitos versos.
gosto assim, poesia na carne!

Carinhos

Barone disse...

Boa Alyne!