quarta-feira, 23 de setembro de 2009

CORAÇÃO ITINERANTE


Eu sou a lua no céu
Eu sou a terra barrenta
Eu sou o rio que canta
Eu sou a água corrente
Eu sou o céu estrelado
Eu sou a areia quente
Eu sou o vento constante
Sou a brisa do levante
Sou a cheia da barragem
Sou o corte da estiagem
sou o canto do berrante
sou a ponta do punhal
sou a subida do sol
sou a gruta sou a grota
sou a moita e o rouxinol
eu sou tudo o que se move
e o que fixo, o que é perene
sou de pedra sou de barro
sou de vidro sou de creme
sou de lixo sou de lata
quem quiser que me condene
mas eu sou tudo que vive
sou tudo que canta e geme
sou tudo que me concerne
sou o que nem me interessa
sou a lentidão e a pressa
sou o ovo e a serpente
sou a boca e sou o dente
sou o diabo e o tridente
sou deusa e também demente
e nem com isto me acalmo
pois trago dentro da alma
a ansiedade constante
de ser tudo o que me cerca
e de ser um nada errante
coração itinerante

3 comentários:

L. Rafael Nolli disse...

Ser tudo e todas as coisas! Um belíssimo poema, Helena!

Adriana Godoy disse...

Belo poema, Helena, muito rico, muito poético, muitos sentidos...parabéns. bj

Felipe Marques disse...

heart poem