domingo, 16 de agosto de 2009


VAGAR

A saudade que sinto de ti

é como torneira pingando,

não me deixa dormir à noite.

Noite quente

sem frescor,

noite fria

que não tem calor.

É como manhã de segunda,

não quero acordar.

Noite de sexta,

me recuso a dormir.

É como sexo

sem afeto,

tesão

sem vazão.

É como um beijo dado na boca

de quem não se ama mais.

É um telefone mudo.

É uma bala perdida

que partiu de teus olhos

e estilhaçou meu coração.

Mas minhas lembranças

misturam-se aos goles

que bebo,

mas não devo.

Amanhã,

que já é hoje,

embora madrugada,

me imprime outra realidade.

Sirvo outra dose.

Não bebo,

mas devo.

E busco.

Busco entre goles e lembranças

os caminhos da coragem disfarçada

na força de quem se assume fraco,

para dizer da falta,

do desejo,

puro,

de confessar:

- Eu preciso de você.


TON

4 comentários:

BAR DO BARDO disse...

ton
em tom
romântico

Mai disse...

Ops!
Cheguei aqui via blogues amigos. Li e senti um texto forte, intenso de um homem que aqui, está nu. E a Saudade é phoda mesmo, e o teu texto é phodástico!
Putz!
Corro léguas da saudade. Aqui ali eu até consigo. Vou sendo e exercitando o desapego de tudo que emperra meu viver em fluxo, adiante, na correnteza que vai me levando e levando restos de amor e dor...
.
Saudade é tudo isto que lindamente disseste e eu diria talvez seja mais que todo tanto que está ai em teu texto.
Porque o amor e o orgasmo parecem, em seu sentir em intensidade, um exercício de morrer porque nada contem e é o desgoverno absoluto.
Amar é isto que não cabe em si é alopradamente desgovernado e quando chega nem o mais poderoso de todos os homens na face da terra se governa ou tem poder de controlar. Amar é loucura e a saudade é a vontade de poder controlar. Saudade também é loucura porque loucura é o que escapa ao poder e ao controle e um amor depois que vai, e o outro que fica não quer deixá-lo ir, livre, ele empaca em não ir e a saudade vem...
Sei lá que nos dá em não querer deixar que ele siga seu fluxo...
Sei lá, eu sei que essa p##rr@ dói bagaray, sabe?

teu texto é Romanticamente phodástico e phodasticamente romântico. E ora direi que se a amada musa ler, cairá de quatro, catando cavaco.
Eita! Mas ai não rolaria mais, né? Porque o amor (ainda tem essa), é masoquista que só vendo e a saudade é sádica. Ambos nos acorrentam e nós os somos servís.
.
Arriégua! deixa que eu em meu exercício de não ser nada e de ir sendo tudo, siga me desapegando de tudo, ideias, coisas, e amando de um jeito que - livre - não sentirei saudades.
Porque a liberdade é o espaço que a felicidade precisa e não há possibilidade de posse no amor. Ele não é meu ou de um outro qualquer, o amor está em nós, quando nos amamos.Sei lá... teu poema está tão no tom, ton, que me fez borbulhar em meio tom e no tom dos meus sentires...

Abraços,

Mai disse...

Desculpe, isto não é um comentário e, creia, não sou sempre assim desmesurada, tá?
Perdone-me a culpa foi sua.
E se fores recatado desculpa a linguagem mas põe um roupão porque o eu-lírico do texto ou mesmo se for um contexto, estão nús, o eu e o lírico e todos os humanos que amam e sentem saudade.
prazer em ler teu texto.
Belíssimo!

Renata de Aragão Lopes disse...

Uau!
Gostei!